segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Bori e Axexê

Da fusão da palavra Bó, que em Ioruba significa oferenda, com Ori, que quer dizer cabeça, surge o termo Bori, que literalmente traduzido significa “ Oferenda à Cabeça”. Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode-se afirmar que o Bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu Bori é (Iésè órìsà).
Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu Ori, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido as suas próprias potencialidades. Odú é o caminho pelo qual se chega à plena realização de Orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas dos outros. Cada um, como ensina Orunmilá – Ifá, deve ser grande no seu próprio caminho, pois, embora se escolha o Orí antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.
Exú, por exemplo, mostra-nos a encruzilhada, ou seja, revela que temos vários caminhos a escolher. Ponderar e escolher a trajectória mais adequada é a tarefa que cabe a cada Orí, por isso, o equilíbrio e a clareza são fundamentais na hora da decisão e é por intermédio do Bori que tudo é adquirido.
Os mais antigos souberam que Ajalá é o Orixá funfun responsável pela criação de Orí. Desta forma, ensinaram-nos que Oxalá deve ser sempre evocado na cerimónia de Bori. Iemanjá é a mãe da individualidade, e por essa razão está directamente relacionada com Orí, sendo imprescindível a sua participação no ritual.
A própria cabeça é a síntese dos caminhos entrecruzados. A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabam, muitas vezes, configurando-se como sinónimos) começam no Orí, que ao mesmo tempo aponta para as quatro direcções.
OJUORI – A TESTA
ICOCO ORI – A NUCA
OPA OTUM – O LADO DIREITO
OPA OSSI – O LADO ESQUERDO
Desta mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, este e oeste; o centro é a referencia, logo, todas as pessoas se devem colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os quatro pontos cardeais: os caminhos a escolher e a seguir. A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.
Em África, Orí é considerado um Deus, aliás, o primeiro que deve ser cultuado, mas é também, juntamente com o sopro da vida (emi) e o organismo (ese), um conceito fundamental para compreender os rituais relacionados com a vida, como o Axexê (asesé). Nota-se a importância destes elementos, sobretudo o Orí, pelos Orikis com que são invocados.
O Bori prepara a cabeça para que o Orixá se possa manifestar plenamente. Entre as oferendas que são feitas ao Orí algumas merecem menção especial.
É o caso da galinha de Angola, chamada Etun ou Konkém no Candomblé; ela é o maior símbolo de individualização e representa a própria iniciação. A Etun é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do Orixá. Ela já nasce com Exú, por isso se relaciona com o começo e com o fim, com a vida e a morte, por isso está no Bori e no Axexê.
O peixe representa as potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho. As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura. Flores, que aguardam a germinação, e frutas, os produtos da flor germinada, simbolizam a fartura e a riqueza.
O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar. A noz cola, isto é, o obi é sempre o primeiro alimento oferecido a Ori; é a boa semente que se planta e se espera que dê bons frutos.
Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranquilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao Orí de cada um eleger as prioridades e, uma vez cultuado como deve ser, proporciona-as aos seus filhos.
Nunca se esqueça: Orixá começa com Orí.

Emidio de Ogum
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

CONDUTA MORAL

Irmãos achei um texto muito interessante na internet, texto que todos nós médiuns deveríamos ler e aprender. Com certeza nosso trabalho mediúnico fluiria melhor.

Conduta Moral, Espiritual e Física dos médiuns dentro da corrente astral de Umbanda.


1 - Manter dentro e fora da Tenda, isto é, na sua vida espiritual ou religiosa particular, conduta irrepreensível, de modo a não suscitar críticas, pois qualquer deslize neste sentido irá refletir na sua Tenda e mesmo na Umbanda, de modo geral.


2 - Procurar instruir-se nos assuntos espirituais elevados, lendo livros indicados pela Direção Espiritual do Terreiro, bem como assistindo palestras nesse sentido.


3 - Conservar sua saúde psíquica, vigiando constantemente o aspecto moral.


4 - Não julgar que seu protetor ou sua entidade é o mais forte, o mais sabido, muito mais "tudo" que o do seus irmão, médium também.


5 - Não viva querendo impor seus dons mediúnicos, contando, com insistência, os feitos de seus guias ou protetores. Lembre-se de que tudo isso pode ser problemático e transitório e não esqueça de que você pode ser testado por outrem e toda essa conversa vaidosa ruir fragorosamente.


6 - Dê paz a seu protetor no astral, deixando de falar tanto no seu nome, isto é, vibrando constantemente nele. Assim, você está se fanatizando e "aborrecendo" a entidade. Fique certo de que, se ele, o seu protetor, tiver "ordens e direitos de trabalho" sobre você, poderá até discipliná-lo, cassando-lhe as ligações mediúnicas e mesmo infringindo-lhe castigos materiais, orgânicos, financeiros, etc. Se você for desses que, além de tudo isso, ainda comete erros em nome de sua entidade protetora...


7 - Quando for para a sua sessão, não vá aborrecido e quando chegar lá, não procure conversas fúteis. Recolha-se a seus pensamentos de paz, fé e caridade pura para com o próximo.


8 - Lembre-se sempre de que sendo você um médium considerado "pronto" ou em desenvolvimento, é de sua conveniência tomar banhos de descargas ou propiciatório determinados por seu guia ou protetor, Seu for médium em desenvolvimento, procure saber quais os banhos e defumadores mais indicados, que poderá ser dado pela direção do terreiro. 05/11/06 excluir AUREA

- Não use guias ou colares de qualquer natureza sem ordens comprovada de sua entidade protetora responsável direta e testadas no terreiro.

10 - Não se preocupe em saber o nome do seu guia ou protetor antes que ele julgue necessário e por seu próprio intermédio. É de toda conveniência também para você, não tentar reproduzir, de maneira alguma, qualquer ponto riscado que tenha impressionado dessa ou daquela forma.


11 - Não mantenha convivência com pessoas más, viciosas, maldizentes etc... Isto é importante para o equilíbrio de sua aura e dos seus próprios pensamentos. Tolerar a ignorância não é compartilhar delas...


12 - Acostume-se a fazer todo o bem que puder, sem visar as recompensas.


13 - Tenha ânimo forte através de qualquer prova ou sofrimento. Aprenda a esperar e confiar...


14 - Não tema a ninguém, pois o medo é prova de que você está em débito com sua consciência.


15 - Lembre-se sempre de que todos nós erramos, pois o erro é da condição humana e portanto ligado a dor, a sofrimentos vários e, conseqüentemente, às lições, com suas experiências... Sem dor, sofrimento, lições e experiências não há Karma, não há humanização nem polimento íntimo. O importante é que não se erre mais. Ou não cometer os mesmos erros.


16 - Zele por sua saúde física, com uma alimentação racional e equilibrada


17 - Não abuse de carnes, fumo e outros excitantes, principalmente o álcool.


18 - Nos dias de trabalhos, regule a sua alimentação e faça tudo para se encaminhar a sessão espiritual, limpo de corpo e espírito.


19 - Não se esqueça, hipótese alguma, de que não se deve ter relações ou contatos carnais na véspera e no dia dos trabalhos.


20 - Tenha sempre em mente que, para qualquer pessoa, especialmente o médium, os bons espíritos somente assistem com precisão, se verificarem uma boa dose de humildade ou de simplicidade no coração. A vaidade, o orgulho e o egoísmo cavam o túmulo do médium

- Aprenda lentamente a orar confiando em Jesus, o Regente do planeta Terra.
Cumpra as ordens ou conselhos de seu Guia ou Protetor.
Ele é seu grande amigo e somente trabalha para a sua felicidade.

* PROCURAR EVITAR AGITAÇÕES E FICAR O MAIS CALMO POSSÍVEL.


* TOMAR BANHO DE DEFESA ANTES DOS TRABALHOS.


* EVITAR BEBIDAS ALCÓOLICAS E FUMAR O MENOS POSSIVÉL.


* PROCURAR DECORAR E CANTAR OS PONTOS DURANTE O RITUAL.


* ESTAR SEMPRE EM SINTONIA E ATENTO AO RITUAL.


* AUXILIAR SEMPRE NO QUE FOR NECESSÁRIO.


* PROCURAR PARTICIPAR E COMPREENDER O RITUAL.


* SER SEMPRE PONTUAL E NÃO FALTAR SEM NECESSIDADE.


* SEMPRE MANTER UM BOM RELACIONAMENTO COM SEUS IRMÃOS DE FÉ.


* EVITAR FOFOCAS, E COMENTÁRIOS DESNECESSÁRIOS E CONVERSAS IMPRODUTIVAS.


*RESPEITANDO E TRATANDO COM CARINHO A TODOS PARA RECEBER O MESMO TRATAMENTO DOS IRMÃOS DE FÉ.


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OS DEFEITOS MAIS COMUNS, A SABER:


- o ORGULHO,o EGOÍSMO, a VAIDADE, a FEROCIDADE, a SENSUALIDADE

são inimigos tenazes,que devemos um por um combater e vencer, a custa de lágrimas e de sangue, por que são estigmas que nos vêm do nosso passado de brutos e estão profundamente arraigados em noso coração.

-rsolver lutar,começando pelo menor defeito e perseveranso tenazmente até o fim.


A luta contra nossas paixões é terrível e só consegue triunfar delas quem têm ânimo forte,vontade firme e fé, sobretudo fé, nas luzes e nas forças que nos vêm do alto.


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AUTO - APERFEIÇOAMENTO


CADA UM RECEBERÁ SEGUNDO SUAS OBRAS!


Para ser médium não basta servir de instrumento à manifestação de Espiritos.

É preciso,sobretudo,renovar-se moralmente,espiritualizar-se dia por dia,com base no evangelho redentor.

A reforma liberta o individuo da escravidão das paixões.

Os vícios escravizam o Espirito na carne,continuam a escravizá-lo,depois da morte e então, não podendo os viciados satisfaze-los inteiramente,pela ausencia do instrumento carnal,comparecem às sessões de falso espiritismo, assaltam os médiuns que aí encontram,incorporam-se neles e dessa forma se satisfazem,fumando,bebendo,e praticando outros atos ainda menos edificantes.

Se não nos reoformamrmos,como espiaremos as faltas?

E não o fazendo,como poderemos nos libertar das provações?

Os médiuns,há alguns que se esforçam e procuram obter melhoria espiritual; a maioria, porém, e infelizmente, nenhum esforço desenvolve nesse sentido e deixa-se levar passivamente pelas circunstancias.

Esquecidos do compromisso que assumiram no espaço, antes da encarnação,deixam-se dominar pelas tentações do meio ambiente,material e grosseiro,esquecem-se de suas tarefas coletivas e passam a viver a vida de comodidades e de vantagens pessoais, fracassando.


A maioria dos médiuns não lê o Evangelho,uns por serem incultos,outros por falta de hábito,outros,enfim, por julgarem que esse estudo não lhes é necessário, visto que os Espiritos,que por seu intermédio se manifestam ao publico,bastam para orientá-los com mais autoridade e conhecimento.

Sou médium de Umbanda e acredito

Algumas pessoas podem não concordar comigo ou mesmo não acreditar em minhas palavras, porém somos aquilo que acreditamos e assim decidimos o nosso caminho. Eu acredito em Deus, eu acredito em Jesus Cristo, eu acredito nos Orixás da Umbanda, eu acredito no Mentor Espiritual que me guia e nos Guias Espirituais de Umbanda que utilizam minha mediunidade, eu acredito na Umbanda, por isto as decisões que tomo em minha vida são baseadas no meu entendimento que sem Eles participando constantemente no meu caminhar e que sem um ajuste diário em minhas atitudes, pensamentos e sentimentos, conforme a mensagem de Jesus, além de estudar continuamente buscando a Verdade que Ele trouxe, esta minha vida seria como um navio perdido, sem bússola em um oceano desconhecido.
Eu acredito que minha mediunidade não é missão, mas sim parte da depuração de meu espírito que escolheu este caminho para que eu como encarnado, pudesse amenizar o meu carma e também através da caridade que recebo do Alto Astral, crescer moralmente e espiritualmente. Este foi o caminho que meu espírito escolheu para poder passar por esta encarnação apoiado pelos Bondosos Espíritos que tanto me amam e oram para que eu supere as tentações da carne e aprenda que tudo passa.
Pois realmente tudo passa, alegrias, tristezas, dificuldades, doenças, entre tantas outras experiências, pois a encarnação é muito pequena perto da vida eterna do espírito e a busca por viver eternamente em comunhão com o Amor do Pai, que é o que Ele deseja para mim e para todos os seus filhos. Portanto só posso acreditar que a educação espiritual, a reforma moral constante, a vigília, oração e o Evangelho de Jesus são os únicos meios para que eu possa caminhar seguro nesta direção.
Muitos irão dizer que é uma vida de sacrifícios e renúncias, mas o que para uns é sacrifício para mim é aprendizado, o que para uns é renúncia para mim é conquista. Pois é no aprendizado que me faz crescer e na conquista de minha paz interior que posso dizer a mediunidade, para mim, não é um fardo, pois sei que sempre terei todos os Bons Espíritos e Jesus Cristo a me amparar e nisto acredito e tenho fé, sendo minha confiança total que, assim, posso ser uma pessoa melhor, me amar e poder amar aos meus irmãos encarnados ou desencarnados, amando acima de tudo o Pai que me criou e que também me ama.
Acredito que se estar encarnado é estar na escola do espírito, então terei que passar por provas que mostrem que meu aprendizado permite que eu passe para novos estágios evolutivos, por isto acredito que a Umbanda com Jesus Cristo, a Umbanda que o Caboclo das 7 Encruzilhadas nos trouxe, a Umbanda que o Caboclo Ventania e meu Pai Rompe Mato seguem, é a escola que me permitirá ter bons professores e conhecimento para alcançar a evolução moral e cristã que meu espírito se propôs, ao vir para esta encarnação.
Por isto acredito que ser médium na Umbanda é libertar o espírito das amarras do desconhecimento, das crendices e superstições que paralisam a evolução e que a caridade efetuada pelos Bons Espíritos através de minha mediunidade é luz para o meu caminho e o caminho de muitos que buscam também o Amor grandioso do Pai e somente com disciplina para buscar meu crescimento espiritual e moral, com estudo para buscar o conhecimento e a Verdade que liberta e muito trabalho que fortifica meu espírito, é que poderei ser um médium com Jesus e sempre ser feliz.
Sou médium de Umbanda e acredito.

Enviado por Pai Reginaldo (Sacerdote Dirigente do T. E. Cruzeiro da Luz – Cabana do Caboclo Rompe Mato – SP)
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ESPÍRITAS OU ESPIRITOLOS ?

Já faz algum tempo, uma antiga vizinha, sem papas na língua, me vendo sempre às voltas com atividades na Casa Espírita, um dia não resistiu e em meio a
uma conversa acabou “soltando” que eu era “muito carola!” Levando a
coisa na farra, tentei argumentar: – “Mas eu sou espírita e não
católico…” Ela aí não titubeou: “Então você é espiriteiro ! " “Ou
espiritolo, pensei eu !”
O pitoresco virou piada, mas trouxe à tona uma séria questão. Até onde nós, espíritas, estaremos descambando para o igrejismo e a
superficialidade?
Temos visto Grupos tão obcecados com assiduidade e pontualidade, tão cheios de regras, critérios, exigências, uns querendo transformar o Espiritismo
em religão, e uma intolerância tal, que mais parecem a velha e
inquisitorial igreja romana da idade média de passado escabroso.
Onde foi que perdemos o rumo da fraternidade? Que paramentos invisíveis ainda nos fazem oscilar entre a pseudo-superioridade dos sacerdotes e a
submissão dos beatos?
Em um dos costumeiros papos fraternos com minha amiga Brigitte Monfort, uma vez questionei: “Por que será que os espíritas se digladiam tanto por
cargos, até mesmo naqueles grupos minúsculos que ficam lá onde Judas
perdeu as botas?…” Bem-humorada, como sempre, ela me respondeu com uma
risadinha marota: “A briga é pelo poder sobre as almas,meu caro. Muitos
espíritas ainda se alimentam da autoridade clerical (que torturou muitos
irmãos por terem outra linha de pensamento) que tinham, quando nas
fileiras do catolicismo. O poder vicia.”
Para esse autoritarismo rançoso, o que não faltam são defesas equivocadas. Afinal, Emmanuel recomendou: “Disciplina, disciplina, disciplina.” Foi o
bastante para que instruções superiores, aplicadas a um contexto
específico, se tornassem o jargão justificador da inflexibilidade fria
que campeia em nosso meio e que vêm transformando nossas instituições –
destinadas a ser escolas do amor – em verdadeiros quartéis de controle e
enquadramento. E quantos exageros em nome da disciplina…
Certa vez, uma palestrante habitualmente pontual, chegou à nossa reunião pública em cima da hora. Estava mortificada. Por mais que tentássemos
deixá-la à vontade, repetia sem parar que “a espiritualidade tem horário
a cumprir.” Naquela noite o seu desempenho, obviamente, não foi dos
melhores, porém, é perfeitamente compreensível a reação da companheira.
Ocorre que, se os dirigentes espirituais levam em conta que estamos na
matéria, sujeitos a limitações e imprevistos comuns à vida terrena, os
dirigentes encarnados, em grande maioria, não o fazem. Numa afirmação de
poder, até mesmo inconsciente, sobretudo com relação aos médiuns,
insistem em generalizar, e saem por aí a prodigalizar suspensões ou
prescrições de inumeráveis passes e palestras doutrinárias, até que o
faltoso ou atrasadinho, supostamente reequilibrado, mas no fundo,
punido, possa então reconquistar a permissão de voltar às atividades…
Haja penitência!
Façamos o dever de casa. No Livro dos Médiuns, cap.XXIX, top. 333, ao tratar das reuniões espíritas, o codificador é muito claro: “Se bem que os
espíritos prefiram a regularidade, os verdadeiramente superiores não são
meticulosos a este ponto. A exigência de uma pontualidade rigorosa é um
sinal de inferioridade, como tudo o que é pueril.”
É preocupante, também, a falta de naturalidade com que as pessoas têm se comportado no ambiente espírita. Observa-se uma despersonalização e um
formalismo alarmantes, em lugar da camaradagem espontânea que deveria
existir entre irmãos, sem falar na falta de estudo da doutrina. Não
raro, rir e brincar inter-reuniões parece ser, implícita ou
explicitamente, proibido: “Quebra a vibração.” Cada vez mais, os
cumprimentos espontâneos e afetivos têm dado lugar a frases feitas,
piegas e que soam muito falso. Na fala, como na escrita, temos
substituído expressões carinhosas e simples do cotidiano por uma
linguagem impessoal, “santificada”, “igrejista” e obsoleta, incompatível
com os novos tempos. Ah, as palavras ensaiadas… Os gestos contidos…
Ladainhas do passado, ainda tão presentes, a nos distrair de nós mesmos…
Nas Casas Espíritas, dirigentes preocupados apenas em dirigir e coordenadores tão somente concentrados em coordenar, esquecem o
essencial: AMAR. Casas se agigantam e pessoas viram número, em ambientes
tão impecáveis quanto frios. Alguém notou a tristeza daquele
companheiro ou a ausência daquele outro? E o medo se abraçarem !
Ocupados em crescer, no quantitativo, ignoramos Kardec a recomendar
grupos pequenos e o alerta do próprio Chico, que já dizia: “Em Casa que
muito cresce o amor desaparece.”
Perdidos numa burocracia sem sentido, senhas e formulários vão aos poucos tomando o lugar do coração e transformando nossos atendimentos fraternos
em patética mistura de clínica psicológica e confessionário, onde o
indivíduo precisa seguir à risca as etapas cronometradas do tratamento
para obter “alta” ou “absolvição.” Assim, desorientados orientadores, em
tom grave e superior, seguem dando receitas iguais para problemas
diferentes. Alguém sofreu uma perda e busca notícias do ente querido
desencarnado? Que vá “baixar” noutro Centro, porque nos mais ortodoxos
ouvirá rispidamente que o telefone só toca “de lá pra cá” e fim. Quantas
vezes se ouve essa tolice (dos espiritolos) ! A alegação é que a
mediunidade não está a serviço de problemas “domésticos” e sim de coisas
mais sérias. Valei-me Chico Xavier! Quanta saudade da mediunidade a
serviço do amor, do consolo aos desesperados de toda a sorte…Dá pra
imaginar quão inferiores talvez trevosos são os espíritos que frequentam
essas casas !
Nas reuniões públicas, companheiros carrancudos às portas das cabines de passe chamam com voz cavernosa: “Os próximos!” E aquele que está indo
pela primeira vez fica a imaginar que ritual terrível deve acontecer
naquela salinha escura onde todos entram cabisbaixos, como bois para o
matadouro. Diretores severos, após comoventes preces, olham por baixo
dos óculos com olhar de censura para a mãe de alguma criança que chora,
ou pedem que se retire. Médiuns coreografados sincronizam movimentos
como se fossem clones uns dos outros. Qualquer semelhança com
farisaísmo, lamentavelmente, não será mera coincidência?
Na Evangelização, criança que chega atrasada volta; se falta muito é cortada, mesmo aquela que mais precisa da orientação e do pão. A mãe,
senhora simplória assistida pelo Grupo e que muitas vezes sequer tem o
dinheiro da passagem, ouve um duro sermão de alguém que ignora a sua
difícil realidade. Normas são normas. Quem negligenciar a freqüência dos
filhos não tem direito à cesta básica. O tom é incisivo. Muitos dirão
que é necessário usar estratégias para evangelizar “os nossos irmãos que
mais precisam”. Talvez tenham razão… Parece que só os espíritas já não
precisam mais do Evangelho…
Navegantes desatentos às ciladas da superfície, não percebemos o risco de naufrágio iminente. Parecemos surdos à conclamação do Espírito de
Verdade: “Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento” E,
indiferentes à terna advertência de José, Espírito Protetor, a nos
lembrar que “a indulgência atrai, acalma, reergue, ao passo que o rigor
desencoraja, afasta e irrita.”, até quando continuaremos atraídos pelo
canto da sereia?
Há que se ter humildade para repensar nossas práticas doutrinárias, reconhecer equívocos, resgatar a doutrina simples e libertária de Jesus.
Há que se ter coragem para mudar, para substituir a frieza dogmática
que tem nos engessado pela convivência fraterna, calorosa e solidária
que nos identificará, de fato, como cristãos redivivos.
Espíritas ou “espiritolos ”… O que temos sido? O que realmente queremos ser? Cada um se perceba e se responda.
Enviado por Jorge Luiz Amaral
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FUNDAMENTOS UMBANDISTAS

Acreditamos em Deus eterno, imutável, único, onipotente, onisciente e onipresente;

Cremos na existência dos Orixás, Espíritos de plano superior, que comandam as 7 linhas de Umbanda;

Temos a reencarnação como ponto pacífico, logo, indiscutível;

Cremos na existência de seres fora da matéria e na sobrevivência de nossa própria alma após a morte do corpo físico;

Há possibilidade de comunicação com os espíritos desencarnados, através da faculdade mediúnica, cujo o intermediário é o médium;

Existe uma lei de causa e efeito, pela qual colhemos tudo o que plantamos;

O progresso de cada um ou as situações da vida são produtos de seu livre arbítrio ou escolha das provas com antecedência, antes da reencarnação;

Não há diferença entre o plano terrestre e o astral, apenas distinção de estados vibratórios;

Amai-vos uns ao outros é o lema principal da Umbanda, manifestado na prática da caridade, tanto na palavra como na ação;

Acreditamos na existência de outros mundos habitados, não constituindo a terra exceção do universo. Há mundos mais adiantados e orbes mais atrasados. A Terra é um plano de expiação, aprendizado e de correção moral;

Não há espíritos eternamente voltados para o mal, mas seres em estágio de aprendizado;

Todos temos guias espirituais, que nos acompanha, com a faculdade de se comunicarem conosco, através da mediunidade;

Jesus Cristo foi o espírito de categoria mais elevada que já encarnou entre nós;

Vivemos num campo vibratório peculiar, sendo cada um campo vibratório que o seu livre arbítrio comanda;

Somos todos iguais, porque filho do mesmo Deus de amor, justiça e sabedoria, fomos criados para cumprir seus sábios desígnios;

Adotamos a liberdade da prática religiosa;

Respeitamos todas a religiões, pois constituem os diversos caminhos de evolução espiritual que conduzem a Deus.




O que a religião faz com as pessoas

Texto de Luiz Fernando Veríssimo


Filho pergunta ao pai:
- Papai, o que é Páscoa?
-Ora, Páscoa é... Bem... É uma festa religiosa!

-Igual ao Natal?

-É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

-Ressurreição?

-É, ressurreição. Marta vem cá!
-Sim?
-Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?

-Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?

-O que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu !
Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola ? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!

-Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?

-É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

-O Espírito Santo também é Deus?

-É sim.

-E Minas Gerais?

-Sacrilégio!!!

-É por isso que a ilha de Trindade fica perto do Espírito Santo?

-Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!

-Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

-Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.

- Coelho bota ovo ?

-Chega! Deixe eu ir fazer o almoço que eu ganho mais !

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa ?

-Era... Era melhor, sim... Ou então urubu.

- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né ? Que dia ele morreu?

-Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.

-Que dia e que mês?

- (???)
Sabe que eu nunca pensei nisso ? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia.

-Um dia depois!

-Não três dias depois.

-Então morreu na Quarta-feira.

-Não, morreu na Sexta-feira Santa... Ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas ?
Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na Sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!

-Como?

- Pergunte à sua professora de catecismo!

-Papai, porque amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua ?

-É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

-O Judas traiu Jesus no Sábado ?

-Claro que não! Se Jesus morreu na Sexta!!!

-Então por que eles não malham o Judas no dia certo?

-Ai...

-Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

-Cristo. Jesus Cristo.

-Só ?

-Que eu saiba sim, por quê?

-Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz tido, não acha?

-Ai coitada!

-Coitada de quem?

-Da sua professora de catecismo!


E-mail enviado por Alexandre Cumino
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“Atotô Obaluayê”!

Dia 16 de agosto, é o dia que comemoramos o Orixá Obaluayê.  Seu sincretismo católico é com São Lázaro e sua saudação é “Atotô Obaluayê”, que quer dizer “Silêncio”; suas cores são  preto e branco; sua oferenda é pipoca preparada com areia, fatias de coco regadas com mel, água mineral ou vinho tinto, flores e velas brancas e seus pontos de força são: cemitérios – “calunga pequena”,  mar – “calunga grande” e 
cavernas.

Tem como principal instrumento o Xaxará (Sàsàrà), espécie de cetro de mão, feito de nervuras da palha do dendezeiro, enfeitado com búzios e contas, com que capta as energias negativas bem como “varre” as doenças, as impurezas e os males sobrenaturais.
Obaluayê é o Orixá que representa a Irradiação Divina da Evolução, é o Senhor das Passagens, aquele que permite a mudança de nível, de estágio ou de situação. É a Ele que clamamos quando nos sentimos estagnados ou em sofrimento, seja na dor física, mental, emocional ou espiritual.

É o Orixá de elemento terra, que é vital à vida humana e encontra-se no começo e no fim de toda a vida, aliás é sabido que: “tudo o que sai da terra é dotado de vida e tudo o que volta para a terra é novamente provido de vida”..
Obaluayê está relacionado ao retorno, ao pó, ao renascimento, à transformação, à transmutação e à regeneração.

Obaluayê é Orixá Sábio e Ancião, rege a linha dos Pretos-Velhos, linha que nos presenteia benevolentemente e continuamente com sua capacidade de Sabedoria e Paciência, de Tolerância e Renúncia, de Bondade e Generosidade.

Se curvar diante de Obaluayê é buscar no íntimo a compreensão de seus carmas e transformá-los em darmas.

Se cobrir com as palhas desse Orixá é procurar dentro de si a cura de seu espírito e de suas mazelas.

Se banhar com as pipocas de Obaluayê é transformar a vida em um lindo jardim cheio de flores brancas e perfumadas.

Saudar Obaluayê é clamar pelo silêncio da emoção desenfreada a fim de ouvir a voz da sapiência.

Tocar na terra três vezes ao saudar Obaluayê é acordar a terra e cultivar a esperança da sensatez.

Fazer o sinal da cruz no chão é afirmar que aceita as dores da matéria, na matéria, enquanto o espírito afirma a importância da regeneração e da renúncia para a sua evolução e evolução da humanidade.

ATOTÔ!

ATOTÔ OBALUAYÊ!

domingo, 15 de agosto de 2010

PARABÉNS


PARABÉNS A NOSSA SEGUIDORA MARÚ PEDRA.
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AVISOS:
DIA 22 DE AGOSTO - OBRAS E REUNIÃO APÓS O ALMOÇO.
DIA 04 DE SETEMBRO - HOMENAGEM A SEU ZÉ PILINTRA   E EXÚS DA CASA.
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NOSSA HOMENAGEM A TODAS AS POMBA GIRAS PELA PASSAGEM DE SEU DIA
13 DE AGOSTO
MUITO AXÉ A NOSSAS GUARDIÃS DA UMBANDA.

Nilo Coelho
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FUNDANGA (POLVORA)

Bem a postagem é sobre uma prática muito conhecida e utilizada nos terreiros de Umbanda, alguns chamam de "Circulo de Pólvora", "Queima de Fundanga" e etc.
Á prática deste ato é muito antiga e muito utilizada mas poucos sabem o seu significado. Primeiramente devemos saber qual a finalidade do uso da fundanga: o seu principal uso é afastar, limpar e dispersar energias negativas, espíritos obsessores da aura da pessoa ou do ambiente em que foi queimada.
"A pólvora é usada como um acelerador de partículas. Através da liberação de gases, acontece o movimento frenético das moléculas de água que compõem o nosso campo magnético, campo esse denominado de aura, energia resultante da queima das células de todo o corpo dirigido pelo cérebro, centro de comando do espírito, energia sutil apenas detectada em fotolitos.
 
A pólvora em queima, libera seus elementos sutis que interage neste campo liberando o vampirizado do cordão fluídico denso e negativo. Com o movimento frenético das moléculas dá-se o rompimento do mesmo liberando ambos os espíritos para o devido tratamento, acontecendo de forma idêntica com as larvas astrais que como ‘’carrapatos’’ do espírito se desgrudam e se desintegram na corrente elétrica provocada pela queima da pólvora.
 
Nenhum espírito é queimado pela pólvora. A sensação do mesmo na hora da queima é de um choque elétrico provocando na maioria das vezes um desmaio temporário ou um torpor dos sentidos.
 
A pólvora é um elemento material utilizado para vibracionar o campo das energias sutis do corpo, assim como a água fluidificada é carregada de energia para que atue nas células do corpo físico e também igualmente como o passe magnético potencializador dos elétrons que pulam das mãos do médium para o corpo do receptor agindo nas células do corpo físico."



É importante ressaltar o modo que alguns terreiros usam esta ferramenta. Primeiro a fundanga ou pólvora não deve ficar muito perto da aura da pessoa deve-se dar uma distância de pelo menos 30cm pois a queima perto da pessoa pode causar danos a sua aura, alguns terreiros costumam queimar a pólvora ao redor da pessoa, prática esta muito perigosa pois além de causar danos a aura dela pode causar queimaduras e outros danos físicos a pessoa.


O uso da pólvora é muito eficaz mas deve ser feio por uma pessoa habilitada, com conhecimento e tarimba para tal manipulação de energia.


Que Oxalá nos abençoe sempre



Quero ser Pipoca !

Na Umbanda a pipoca é usada nas oferendas para os Orixás Obaluayê, usando só as
pipocas brancas, e Omulu, usando também as pipocas queimadas (pretas). Os banhos de pipoca são rituais importantes e poderosíssimos para os médiuns. Em banhos de cura e harmonização as pipocas são feitas sem óleo e sem sal; nos banhos de descarrego o milho é estourado com azeite de dendê (nesse caso o banho deve ser feito sempre em campo aberto);  nos banhos de fixação de força o milho deverá ser estourado na areia da praia.

A pipoca também é elemento vegetal transformador e transmutador, portanto é muito usada nos rituais de cura, além disso os Guias fazem verdadeiras mandingas com apenas um punhado de pipoca nas mãos, favorecendo o corpo astral dos consulentes.

Para falar um pouco mais sobre este elemento tão poderoso da nossa Umbanda quero compartilhar com vocês um texto muito bonito e muito expressivo. Espero que gostem e que consigam absorver todo o significado das palavras e todas as mensagens nas entrelinhas.

PIPOCA PARA RUBEM ALVES
“A culinária me fascina. De vez em quando eu até me atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme “A Festa de Babette” que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento. As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida…). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, da lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé…
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á”. A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira…”
Rubem Alves

Que todos nós possamos passar pelo fogo da vida para, enfim, nos transformar em pipocas !

Mãe Mônica Caraccio-------------------------

A importância do Congá

Queridos irmãos, estar a frente do congá é estar em penitência com nosso Pai Oxalá, é o momento sublime dos filhos diante da vibração do Pai, nunca desdobre ou incorra no pensamento que aquela imagens seria ele em corpo físico, mas sim a sua vibração vindo do fruto de seu próprio amor interior, quando fita-se ali seus olhos sentiras um ardor no peito, seu intimo percorrerá sua alma, trazendo a sí as vibrações do amor daquele que espera que nem somente você deve se resignar quando esta de frente a ele, e sim sempre em sua vida, por todos que você encontra a frente, pelos desconhecidos e também pelos seus inimigos, leve consigo a carga completa da energia do amor, pois muitos precisam do congá para estarem mais próximos do Pai.
O congá é o mais potente aglutinador de forças dentro do terreiro: é atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos de energias e magnetismo. Existe um processo de constante renovação de axé que emana do congá, como núcleo centralizador de todo o trabalho na umbanda.
Cada vez que um consulente chega à sua frente e vibra em fé, amor, gratidão e coniança, renovam-se naturalmente os planos espiritual e físico, numa junção que sustenta toda a consagração dos orixás na Terra, na área física do templo.
Vamos descrever as funções do congá: atrator: atrai os pensamentos que estão à sua volta num amplo magnetismo de recepção das ondas mentais emitidas.
Quanto mais as imagens e elementos dispostos no altar forem harmoniosos com o orixá regente do terreiro, mais é intensa essa atração. Congá com excessos de objetos dispersa suas forças.
CONDENSADOR: condensa as ondas mentais que se “amontoam” ao seu redor, decorrentes da emanação psíquica dos presentes: palestras, adoração, consultas etc.
ESCOADOR: se o consulente ainda tiver formas-pensamentos negativas, ao chegar na frente do congá, elas serão descarregadas para a terra, passando por ele (o congá) em potente influxo, como se fosse um pára-raios.
EXPANSOR: expande as ondas mentais positivas dos presentes; associadas aos pensamentos dos guias que as potencializam, são devolvidas para toda a assistência num processo de fluxo e refluxo constante.
TRANSFORMADOR: funciona como uma verdadeira usina de reciclagem de lixo astral, devolvendo-o para a terra; alimentador: é o sustentador vibratório de todo o trabalho mediúnico, pois junto dele fixam-se no Astral os mentores dos trabalhos que não incorporam.
Todo o trabalho na umbanda gira em torno do congá. A manutenção da disciplina, do silêncio, do respeito, da hierarquia, do combate à fofoca e aos melindres, deve ser uma constante dos zeladores (dirigentes).
Nada adianta um congá todo enfeitado, com excelentes materiais, se a harmonia do corpo mediúnico estiver destroçada; é como tocar um violão com as cordas arrebentadas.
Caridade sem disciplina é perda de tempo. Por isso, para a manutenção da força e do axé de um congá, devemos sempre ter em mente que ninguém é tão forte como todos juntos.


Paz Amor e Harmonia
Emidio de Ogum
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