domingo, 13 de fevereiro de 2011

UM EXEMPLO! UM PRESENTE! UMA ESPERANÇA!

Quero aproveitar e falar um pouquinho de uma mulher que não somente fez história, mas também modificou a história de vida de muitas pessoas do Candomblé e por que não dizer, de nós umbandistas. Afinal, sabemos que a Umbanda é uma religião tipicamente brasileira, mas que recebe influências de várias outras religiões, principalmente do Candomblé que, por sua vez, tem influência direta do povo africano.


E é sob tantas influências, histórias e vidas que encontramos uma personagem que, caso ainda estivesse nesse plano, estaria completando hoje 117 anos. Falo de Maria Escolástica da Conceição Nazareth, a querida MÃE MENININHA DO GANTOIS, que liderou seu terreiro por 64 anos até seu desencarne aos 92 anos.

Mãe Menininha do Gantois dedicou totalmente sua vida ao candomblé, nasceu “abençoada” para manter acesa a crença de seus antepassados que vieram da África, levou o nome do Candomblé e de seu terreiro – Ilê Iya Omin Axé Iya Massé, que em ioruba significa “Casa da Mãe das Águas” e que ficou conhecido como Gantois – à terras improváveis, à cabeças incrédulas, à fama, ao tombamento do terreiro, mas nem por isso revelou qualquer fundamento de sua religião, nem por isso lamentou ou se locupletou através da fé alheia ou de sua própria crença.

Foi iniciada aos oito meses e iniciou sua primeira filha aos dois anos de idade raspando a cabeça de uma mulher de mais de 30 anos. Com cinco ou oito anos participava ativamente dos rituais de iniciação, muitas vezes até altas horas da noite. E afirmava: “Minha avó, minha tia e os chefes da casa diziam que eu tinha que servir. Eu não podia dizer não, mas tinha um medo horroroso da missão. Era uma consciência absoluta do que me esperava: passar a vida inteira ouvindo relatos de aflições, doenças e lástimas e ter que ficar calada, guardar tudo para mim, procurar a meditação dos encantados para acabar com o sofrimento. Tudo exige abnegação.”

Waldemir Rego, estudioso da cultura afro-baiana, frequentador do Gantois, afirmou que: “Menininha era dona do maior acervo de conhecimento litúrgicos do ritual afro do país” e destacou “ela tornou-se um verdadeiro patrimônio pela devoção aos seus deveres de sacerdotisa, tendo conseguido manter a sua casa de candomblé dentro da maior pureza possível, sem se deixar tragar pela sociedade de consumo”.

Ela foi tão ilustre que as palavras canzuá e ganzuá, que muitas vezes são mencionadas pelos queridos guias espirituais de nossa Umbanda, é uma corruptela de Gantois.

Seu prestígio não se restringiu somente ao sagrado, influenciou importantes intelectuais e pesquisadores, aliás alguns deles se encantaram tanto com a religião e com o carinho de Mãe Menininha que assumiram algumas responsabilidades religiosas como foi o caso de Nina Rodrigues (médico legista, psiquiatra, professor e antropólogo), de Manuel Querino (intelectual, fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, escritor), de Estácio de Lima (médico legista), de Arthur Ramos (médico e antropólogo), de Nestor Duarte (professor da Faculdade de Direito), de Hozannah Oliveira (professor da Faculdade de Medicina da Bahia) e muitos outros que tornaram-se ogãs do Gantois.

Muitos políticos e artistas também não resistiram a todo esse encanto e, antes de qualquer atitude mais expressiva em suas carreiras, iam pedir a benção e os conselhos dessa sábia Mãe.

Jorge Amado afirmava: “Na Bahia existe uma mulher que não possuindo nada, não sendo rica, não tendo nenhum posto, não mandando na política, não sendo cardeal, não sendo revestida de nenhum desses falsos poderes, detém um poder real que provém do povo, provém dela ser uma expressão, provavelmente, hoje, a maior do povo baiano”.

Marlene França, atriz e filha da casa desde 1973, por diversas ocasiões testemunhou a acolhida de Mãe Menininha aos mais necessitados quando mandava: “prepare um banho, bote uma esteira para ele dormir, dê-lhe um prato de comida…”. Marlene garante: “vi pessoas com sérios problemas de drogas ou álcool chegar ao Gantois trazidas pela família e depois de um tempo no terreiro se reequilibrarem, vi muitas coisas boas acontecer nas mãos de minha mãe.”

Maria Bethânia foi levada à mãe Menininha pelas mãos de Vinicius de Moraes e apaixonou-se imediatamente: “ela me recebeu com aquela lindeza. Quando Vinicius entrou, mandou buscar uma cadeira para ele sentar. E, para mim, apontou o chão e me mandou sentar ali. Que maravilhosa! Não me lembro nada mais suave do que ela, só mesmo a expressão de Nossa Senhora”, afirma.

Caetano Veloso definiu-a como “a figura mais importante da religião ioruba no Brasil e, em razão disso, uma das figuras mais importantes na formação da cultura brasileira. Um dos maiores ensinamentos dela foi a superação do medo”.

Dorival Caymmi, que por amor a ela fez a música “Oração de Mãe Menininha”, foi somente mais um entre tantos e tantos outros que se beneficiaram desse presente de Olorum a nós que foi Mãe Menininha.

Um exemplo de mulher, de atitude, de determinação, de amor aos Orixás e principalmente submissão à missão.

Foi uma mulher simples que abraçou de tal maneira a sua fé que acreditava com fervor no poder nascido de seu pacto com os deuses da natureza, da bondade e da justiça. Ela se alimentava dos Orixás, ela vivia os Orixás, ela falava, cantava e dançava com orgulho aos Orixás.

Seu universo era próprio e sua função, obrigação e missão eram claras como as águas de Oxum.

E afirmava:

“Esta obrigação é árdua, não é coisa que se pegue com uma mão só.”

“Quando meu tio pôs sua mão sobre a minha e colocou o axé, a emoção que senti jamais poderei descrever. Chorei todas as lágrimas do meu corpo.”

“É a minha missão. Eu não posso explicar. E o senhor não iria entender.”

“Eu sou muito conformada, é difícil eu me zangar, principalmente com os Orixás. Com eles e com Deus não me aborreço. Tudo que a gente passa é porque tem que passar.”

“Antigamente, nós tínhamos mais fé nos Orixás, mais respeito também. Hoje, mesmo nas pessoas que vêm aqui, eu não descubro aquela fé viva de antes. Para mim, essa gente vem com mais curiosidade do que fé.”

” As separações são muitas, tantas que nem a Justiça toma conhecimento.”

“E sabe por que as pessoas têm problemas hoje? É falta de fé em Deus. E o castigo está aqui na terra. Quem não tem fé só pode ser castigado.”

 

Mãe Menininha do Gantois


Que essas poucas palavras sirvam de INSPIRAÇÃO para fazermos uma Umbanda Melhor.


Que essa bela canção interpretada por Maria Bethânia, Caetano Veloso e Dona Canô, e toda sua expressão, seus gestos, movimentos e olhares nos ENCANTEM de tal forma que faça nosso olhar se modificar.


E que atitudes como a de Mãe Menininha nos sirvam de EXEMPLO ‘De Vida’, ‘De Verdade’ e ‘De Obra por Amor e Fé’.


Saravá a todos e muito Axé no coração.



Base de pesquisa e trechos retirados do livro:

Mãe Menininha do Gantois – Uma Biografia

de Cida Nóbrega e Regina Echeverria
 
 
Oração da Mãe Menininha
(Dorival Caymmi)



Ai! minha mãe

Minha ‘’mãe menininha’’

Ai! minha ‘’mãe

Menininha’’ do Gantois

A estrela mais linda, hein?

- Tá no Gantois

A beleza do mundo, hein?

- Tá no Gantois

E a mão doçura, hein?

- Tá no Gantois

O consolo da gente, ai?

- Tá no Gantois

A Oxum mais bonita, hein

- Tá no gantoi

Olorum quem mandou essa filha de Oxum

Tomar conta da gente e de tudo cuidar

Olorum quem mandou eô ora iê iê ô



Maria na Umbanda: entre santos e orixás

Maria, mãe de Jesus, vai muito além do Catolicismo e do Cristianismo, vemos sua presença em grandes religiões como o Islã, onde ela assume o papel de mãe do profeta Jesus, no entanto é possível encontrar Maria nos cultos ou religiões sincréticas das Américas. O colonizador europeu trouxe o africano como escravo e ambos se instalaram nesta terra do índio. Logo as culturas do branco, do negro e do vermelho se encontraram de forma particularizada em diferentes regiões deste continente. E assim chegou Maria ao Brasil, onde foi acolhida também pela religiosidade popular, associada e comparada com divindades e entidades do mundo mítico afro-indígena. Neste contexto está, também, a Umbanda, nascida da miscigenação tão brasileira, no seu jeito de ser, fruto de mitos, ritos e símbolos os mais variados.

O objetivo deste estudo é ressaltar alguns pontos da presença de Maria na Umbanda. Verificamos um sincretismo dinâmico. “Maria Virgem” se identifica com Oxum e “Maria Mãe” se identifica com Yemanjá, em que a relação santo/orixá varia segundo diferentes pontos de vista. Para além de um altar essencialmente católico, podemos observar Maria em outros aspectos da liturgia, como a Festa de Yemanjá e a identificação dos templos com nomes de santos.


Hoje a Umbanda passa por uma mudança de paradigma, no que diz respeito a sua literatura, escrita de “umbandista para umbandista”, surge uma literatura psicografada de Umbanda e novas abordagens sobre a relação de Maria na Umbanda. Sendo uma Religião muito aberta e inclusiva acolhe diferentes e novas formas de entender a presença de Maria. Vamos aqui apenas esboçar alguns aspectos, conscientes da complexidade da Umbanda e dos diferentes ângulos que as Ciências da Religião nos oferecem para aprofundar a questão.

O primeiro templo de Umbanda de que se tem noticia traz o nome de “Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade”, quem nos conta a história de sua fundação é o Sacerdote de Umbanda, Ronaldo Linares, Presidente da Federação Umbandista do Grande ABC (FUGABC), criador do primeiro curso de formação de sacerdotes de Umbanda.


Dia 15 de Novembro de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz de 17 anos, incorporou o espírito de Frei Gabriel de Malagrida, queimado na inquisição. O espírito do Frei revelou que, em uma vida posterior, nasceu como índio no Brasil, preferindo ser identificado, agora, como “Caboclo das Sete Encruzilhadas” e que vinha para trazer a Religião de Umbanda. Sua “igreja” se chamaria Nossa Senhora da Piedade, pois assim como Maria acolheu a Jesus, a Umbanda acolheria os filhos seus.


Zélio vinha de uma família de origem católica e no seio deste lar tiveram início as sessões mediúnicas de Umbanda, onde já havia um pequeno altar católico. Com o tempo, o espírito de um “preto velho”, escravo de origem africana, “Pai Antônio”, traria o conhecimento dos orixás africanos associados aos santos católicos. Nascia o sincretismo de Umbanda, Maria já estava presente e enraizada nos valores religiosos e espirituais dessa família.


No decorrer dos tempos surgiriam milhares e milhares de Templos de Umbanda, identificados como “tendas”, “centros”, “casa” ou “terreiros” de Umbanda, nos quais a exemplo da primeira “Tenda de Umbanda”, estariam presentes as “Marias”, identificando estes templos como: “Tenda Nossa Senhora da Conceição”, “Tenda Nossa Senhora da Guia”, “Nossa Senhora de Sant’Ana”, “Nossa Senhora dos Navegantes” e outras como “Estrela D’alva”, “Tenda Nossa Senhora Aparecida”, “Casa de Maria” etc.


Maria no altar de Umbanda


Oxum representa o amor, a pureza, a beleza, inocência e concepção, enquanto Yemanjá representa a mãe universal, mãe dos orixás, aquela que mantém e gera a vida. Ambas se manifestam na água, Oxum nas cachoeiras e Yemanjá no mar.
 O sincretismo de Maria com os Orixás se faz notar principalmente no altar de Umbanda, que é um altar composto por imagens católicas. Encontraremos a imagem de Nossa Senhora da Conceição ou de Nossa Senhora Aparecida, fazendo sincretismo com Oxum. Yemanjá é o único orixá que tem uma imagem própria, umbandista, não católica, assim mesmo encontramos sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora das Graças.


Um olhar sociológico


Cândido Procópio Ferreira de Camargo, no final da década de 50, dedicou parte de seu tempo ao estudo das “Religiões Mediúnicas” e registrou no livro “Kardecismo e Umbanda: uma interpretação sociológica”, o resultado de sua pesquisa de campo, onde descreve um Terreiro de Umbanda:

“No ‘terreiro’ propriamente dito, barracão com cerca de 50m², há um altar, semelhante aos católicos . O ‘Orixá’ guia do ‘terreiro’ assume lugar de destaque , sob a figura do Santo Católico correspondente. São Jorge, Nossa Senhora, São Cosme e São Damião são os Santos mais comuns que integram o altar, além do Cristo abençoando, de braços abertos.”

Procópio Ferreira dedica especial atenção ao sentimento de pertença daquele que busca as “religiões mediúnicas”, observando que boa parte dos freqüentadores consideram-se Católicos.

Embora já tenha decorrido meio século e a Umbanda venha mudando de perfil, na busca de identidade, ainda nos dias de hoje observamos este fato em menor grau. Para evitar preconceito da sociedade ou desinformação, alguns dos adeptos, da Umbanda, identificam-se de pertença espírita, não fazendo distinção entre sua prática e a criada por Allan Kardec.

Ao adentrar um terreiro de Umbanda pela primeira vez muitos o fazem com certo receio do desconhecido, mas se deparando com um altar católico sentem-se confortados e tranqüilos. Jesus de braços abertos e Maria a seu lado, junto com todos os outros santos, continuariam a guiar sua fé, agora ao lado da tão popular Yemanjá.

O sincretismo, neste caso, serve de amparo para que o desconhecido se apresente através de elementos já conhecidos. O Católico se sente à vontade para justificar sua pertença, assim como, fica clara a importância do altar para a recepção e a conversão do novo adepto.


Festa de Yemanjá


Na década de 50 foi criada uma imagem brasileira para Yemanjá, de pele branca, cabelos negros, vestida de azul, pairando sobre o mar, seu vestido se funde às ondas e derrama pérolas pelas mãos. Esta é uma imagem umbandista e embora todos aceitem Maria como Yemanjá e Oxum, quase não se usa uma imagem católica para Yemanjá, pois ela tem o privilégio de ter imagem própria.

Na Umbanda paulista desde 1969, realiza-se anualmente a Festa de Yemanjá, na Praia Grande, onde está a tradicional imagem de Yemanjá, em Cidade Ocian.


Recentemente, o município de Mongaguá, recebeu uma grande imagem de Yemanjá doada pela FUGABC. A Rainha do Mar reina sozinha nestas duas praias do litoral sul paulista, sendo, dia 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, a Festa de Yemanjá. Já as comemorações de Oxum ficaram para o dia de Nossa Senhora Aparecida e todo o resto do calendário umbandista é orientado por datas católicas, correspondentes aos santos e orixás.


Quatro olhares para o sincretismo afro-católico na Umbanda


O olhar para o sincretismo assume diferentes aspectos dentro da Umbanda, devido à liberdade de interpretações que existe dentro dela mesma. O umbandista tem diferentes formas de se relacionar com Maria, que resultam em olhares diferentes para o sincretismo. Coloco aqui quatro olhares distintos:

• O primeiro olhar é um “olhar católico”, de desinformação sobre a cultura afro. O recém convertido ou o adepto ao ser questionado por exemplo, de quem é o Orixá Oxum ou Yemanjá responde simplesmente que é Maria Mãe de Jesus. Não há um interesse pela cultura e a presença da divindade africana.

• O segundo olhar é um “olhar afro” de desinteresse pelo Santo Católico, a presença do mesmo é apenas figurativa para representar o Orixá, divindade que não possui uma imagem feita de gesso para ir ao altar, com exceção de Yemanjá. Assim Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Senhora das Graças está no altar apenas como uma referência simbólica para se alcançar e louvar, quem realmente está lá, Orixá Oxum.

• O terceiro olhar é um “olhar de fusão” pelo qual Maria, Oxum e Yemanjá se fundem, não há mais uma e outra, Maria é Oxum e também Yemanjá. As lendas e os mitos se confundem e se apresentam nos cantos, neles vemos “Maria a mãe dos Orixás”, “Maria filha de Nanã Buroquê, a avó dos Orixás” ou “Yemanjá mãe de todos os santos”. Inclusive o conceito de santo e orixá se confundem. O adepto se expressa dizendo “meu santo de cabeça é Oxum”, para esclarecer que este Orixá é o “dono de sua cabeça”, seu regente ou padrinho.

• Há ainda um quarto olhar, que é o “olhar de convivência”. É um olhar que reconhece a afinidade entre os Santos e Orixás, Nossa Senhora da Conceição tem sincretismo com Oxum porque ambas tem as mesmas qualidades. Santo e orixá convivem juntos em harmonia, a qualidade e presença de um não diminui o outro. Existem clareza e esclarecimento sobre a origem e cultura que envolve santo e orixá. Oxum não é Maria, mas ambas têm as mesmas qualidades e convivem juntas e em harmonia. Sozinhas elas já ajudam, juntas ajudam muito mais.

 
8. Uma nova experiência de Maria na Umbanda


Já comentamos, linhas acima, que a Religião de Umbanda vem mudando de perfil, buscando sua identidade e, porque não, até mudando alguns paradigmas. Até alguns anos a literatura chamada de “psicografada” ou “escrita mediúnica”, pela qual os espíritos dão sua mensagem escrita, eram de característica do Espiritismo “Kardecista”. Nos últimos anos vem se observando uma literatura “psicografada de Umbanda”, ou seja, livros de Umbanda escritos de forma mediúnica.

Essa mudança de paradigma deve-se a um autor umbandista, Rubens Saraceni, que já publicou mais de 50 títulos nos últimos 13 anos, o que vem incentivando outros umbandistas a realizarem a mesma experiência.

O autor psicógrafo, médium e sacerdote de Umbanda, Rubens Saraceni, criou o primeiro curso livre de “Teologia de Umbanda”, para estudar de forma teórica e teológica as questões pertinentes à Umbanda, vista de dentro. Na “Teologia de Umbanda” se reconhece que Deus é Um com muitos nomes diferentes, como Alá, Zambi, Tupã, Olorum, El, Adonai, Jah, Javé, Aton, Brahman, Ahura Mazda entre outros. Da mesma forma os diversos “Tronos de Deus”, “Divindades” ou Deuses se manifestam em várias culturas, “à moda” de cada uma delas. Assim o “Trono Feminino do Amor” ou “Divindade feminina do Amor” é conhecida como Oxum, Isis, Lakshimi, Afrodite, Vênus, Hebe, Kwan Yin, Freyija, Blodeuwedd, entre outros nomes, sendo a mesma, manifesta sob diferentes formas. Maria personifica este trono na cultura católica, portanto seu sincretismo com Oxum torna-se natural, legítimo e Justificado. Maria tem as qualidades do “Trono Feminino do Amor” e do “Trono Feminino da Geração”, como Yemanjá, Tétis, Hera, Parvati, Danu, Friga e outras. Todas as divindades convivem juntas e se expressam de muitas formas, lembrando a idéia das “Máscaras de Deus”.


Conclusão


Podemos ainda lembrar que Maria ocupa o posto que antes pertencia às “Deusas Pagãs”. O Catolicismo fez sincretismo de culturas e valores, durante sua expansão por territórios desconhecidos ao cristianismo. Podemos dizer que a Deusa também está no inconsciente coletivo que busca elementos conhecidos para concretizar-se em uma realidade palpável.

Por fim, podemos dizer que onde houver duas ou mais culturas haverá sempre o sincretismo, que marca o encontro entre elas. Maria faz parte de uma cultura que dominou todo o Ocidente e boa parte do Oriente. No mundo pós-moderno e globalizado, cada vez mais encontraremos sincretismos e associações a Maria.

Independente de como possa ser interpretada, concluímos que Maria também faz parte da Religião de Umbanda e se manifesta de formas diferentes dentro desta mesma Religião.

*Alexandre Cumino é presidente do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca, conselheiro consultivo da Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de São Paulo, Sacerdote de Umbanda, ministrante dos cursos livres de “Teologia de Umbanda Sagrada” e “Sacerdócio de Umbanda Sagrada”, editor do Jornal de Umbanda Sagrada e estudante de Ciências da Religião na Faculdade Claretiano.

BOIADEIRO

O corpo começa a estremecer, o coração bate mais forte e a coragem, a determinação, a força, a sabedoria, a seriedade e a alegria tomam conta do mental e do emocional do médium que rapidamente gira começando a dançar e a movimentar seu chicote. Ao gritar “Ô Boi!” demonstra o vigor e a força do Boiadeiro agora em terra. O plano astral inferior estremece pois não tem mais como escapar do laço do Boiadeiro que rapidamente envolve todos os seres negativos que perturbam o médium e a Casa Santa. Eles são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, “o caboclo sertanejo”. São os vaqueiros, boiadeiros, laçadores, peões, tocadores de viola … é o mestiço brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai. Para algumas correntes de pensamento umbandista, esses espíritos já foram Exus e, numa transição de grau evolutivo, hoje se manifestam como boiadeiros.


Sofreram preconceitos como sendo os “sem raça” e sem origem mas ganharam a terra do sertão com seu trabalho e luta, sempre respeitando a natureza e aprendendo um pouco com o índio e suas ervas que curam; um pouco com o negro e seus Orixás, mirongas e feitiços; um pouco com o branco e sua religião que fala de Jesus e de Nossa Senhora com respeito e carinho.

Formam uma linha mais recente de espíritos, já que na primeira década da fundação da Umbanda, em 1908, não havia manifestação explícita dessa linha de trabalho. No astral, porém, ela já se preparava para trazer seus ensinamentos, sua alegria e suas experiências, chegando em massa após os anos 20. Os boiadeiros já conviveram mais com a modernidade, com a utilização da roda, do ferro, das armas de fogo e com a prática da magia na terra, e esse ponto ajuda muito a diferenciá-los dos caboclos, que representam povos de costumes mais primitivos e conhecimentos mais naturais.

De modo geral os Boiadeiros usam chapéus de couro com abas largas para proteger do sol forte. O chicote e o laço são suas “armas espirituais”, verdadeiros mistérios, e com eles vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e os consulentes. A corda é usada com sabedoria para laçar o “boi brabo”, para “pegar aquele que se afasta da boiada”, ou para “derrubar o boi para abate”.

Dentro do campo mediúnico os boiadeiros fortalecem o médium, abrindo a porteira para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus. Da mesma maneira que os Pretos Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples mas com uma força e uma fé gigantescas.

SER CHIQUE SEMPRE

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.


A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas.
 
Muito mais que um belo carro italiano.
 
O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.
 
Quem não precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras. Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
 
Chique mesmo é parar na faixa de pedestres.

É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
 
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.
 
É lembrar do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
 
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.
 
É "desligar o celular radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção à sua companhia. Aliás, gente chique não fica 24h de olho no celular, isso é outra coisa...
 
Chique é ter fé de verdade, fazer valer na sua vida o bem verdadeiro e não simplesmente se enfiar em uma igreja qualquer, fazer um milhão de "campanhas" ou "novenas" pedindo coisas pra atender seus sonhos soberbos e egoístas, esquecer de viver o presente que Deus dá a cada dia e continuar vivendo uma vida fútil cheia de ambição, fingindo que é do bem mas, que, na verdade, escolheu ter um coração podre e mediocre.
 
Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
 
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!
 
Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quão breve é a vida, e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.
 
Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour! Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!
 
E o mais importante de tudo:

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios, ricos e importantes...
 
mas, amor e fé nos tornam humanos!



(GLÓRIA KALIL)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PERGUNTAS E RESPOSTAS


P.: O que significa "é mojubá"?

R.: MOJUBÁ — Para alguns autores, é um cumprimento, uma saudação em iorubá. Para outros, é uma expressão extraída da combinação dos termos Moju (viver a noite) e Ba (armar emboscadas) ou seja “armar emboscadas vivendo a noite”; nesse contexto, “Exu é mojubá” (dentre algumas variações) significaria uma saudação que reconhece essas características de Exu. Outra variante indica Mojubá como sinônimo de “Meus respeitos”.



P.: "Meu" Caboclo riscava um ponto antes a agora, que mudei de terreiro, ele modificou o ponto dele. Por que?

R.: Modificou muito? Ou apenas acrescentou ou retirou algum detalhe?
Essas perguntas, em resposta, cabem porque não é comum uma situação destas e parece até estranha. No entanto, pode ser (apenas pode ser) que no caso de inserção ou retirada de algum símbolo, se deva à sua nova forma de trabalhar junto às entidades do novo local bem assim como à egrégora. Se trocou o ponto todo, aí isso tem que ser estudado mais a fundo porque o que parece é que a entidade espiritual não é mais a mesma, ainda que dê o mesmo nome de falange.



P.: Minha criança nunca riscou ponto. Isto está certo?



R.: Se está ou não está, é uma decisão dela, levando-se em conta que você seja médium preparado e outras entidades até já tenham riscado seus pontos através de você. Em verdade mesmo, eu nunca vi criança riscando ponto de fundamento mesmo. Já vi até ensaiarem alguns riscos no meio daquelas brincadeiras que sabem muito bem fazer, mas riscar mesmo, como Caboclo e Preto Velho, eu ainda não vi, ainda que alguns autores insistam em dizer que riscam.



 
 
P.: Por que Preto Velho e Caboclo fumam nos Terreiros?


R.:  Eu não diria que fumam porque eu nunca vi ENTIDADE DE LEI tragar, seja cachimbo ou charuto. O que acontece, na verdade é que eles se valem desses "artifícios" para defumarem, espargindo no ambiente e nos consulentes, a energia que sai do médium, modificada pelo aroma dos fumos específicos. Existe uma modalidade de "passe" que é chamado de "passe de sopro". Nessa modalidade, tanto o doador encarnado quanto o desencarnado incorporado, sopram para o paciente, a energia ectoplásmica da qual ele necessita. Você já deve ter visto isso nas baforadas dos Pretos Velhos e Caboclos, não?


 
 
P.: E essas entidades que já chegam bêbadas. O que você teria a dizer sobre elas?



R: Essa é uma resposta que eu pensei muito se daria ou não, porque certamente envolve a crença de muitos que vêem em entidades desse tipo, verdadeiros mitos, quando não são. E porque digo que não são? Vamos a um raciocínio lógico partindo do princípio de que estejam realmente bêbadas e isso não seja teatro delas?
Vamos lá: Quem deu de beber a esses espíritos antes deles chegarem? Se a resposta foi ninguém, então é sinal de que eles, para poderem absorver álcool, ou tiveram que se encostar em alguém ou absorver esse álcool até mesmo de algum armazém ou encruzilhada. E que tipo de entidade se encosta, aqui ou ali pra absorver a essência do álcool no intuito de manter "em morte" o que provavelmente mantinha em vida? É só uma questão de raciocínio e eu nem vou me alongar mais nessa análise. Só vou dizer que entidades deste tipo ALÉM DE NÃO SEREM DE UMBANDA, têm que ser muito bem encaminhadas ou doutrinadas no caso de seu médium ter realmente que com elas trabalhar, caso contrário ...




P.:  Mas e quando chegam, nem bebem e deixam o médium bêbado?



R: Mais uma razão para que o responsável pela Gira as chame de volta (se tiver na unha, como se diz) e as obrigue a deixar o médium em perfeito estado, fazendo-as aprender, desde cedo, que ali naquele Terreiro de Umbanda ELES SÃO APRENDIZES E NÃO PROFESSORES.



P.: Fui num Terreiro e fiquei sabendo que vou trabalhar com o Caboclo Pena Verde. Queria saber do que ele gosta e como ele se veste porque estou com um dinheiro em sobra e pretendo aproveitá-lo pra ir logo comprando o que for preciso.



R: Eu chamo isso de "botar a carroça na frente dos burros". Pegue o seu dinheiro e bote numa caderneta de poupança ou outra aplicação qualquer, já que não tem uso pra ele no momento. Quem disse que o seu Caboclo Pena Verde vai ter que ser igual a qualquer outro? Quem lhe disse que ele vai querer usar isso ou aquilo? Ou será que já temos uniformização de entidades na Umbanda também?
O caso é o seguinte: Você nem sabe, com toda a certeza se vai trabalhar com essa entidade porque nem começou a desenvolver. Daqui há algum tempo, depois que a entidade se manifestar mesmo e puder falar através de você, pergunte a ela. Acho que se for ela mesma a falar, você vai ter uma surpresa enorme.



P.:  Meu pai de santo disse que eu tenho um oriental que pode trabalhar com curas e que eu deveria procurar outro lugar já que ele não trabalha com a linha do oriente. O que você tem a dizer?



R: Em primeiro lugar que o termo correto é PAI NO SANTO e não DE SANTO porque ele é "seu pai" (orientador) na linha de santo e não pai de qualquer santo. Desculpe-me, aproveitei pra dar uma explicação sobre uma terminologia errada mas que, mesmo errada continua a ser difundida.


Em segundo lugar, achei seu Pai NO Santo muito honesto, não pretendendo prendê-la em seu Terreiro e abrindo-lhe a porta para que você procurasse um lugar que pudesse lhe dar melhores informações sobre o seu "carrêgo espiritual" que, como ele mesmo diz, não está dentro de suas práticas. Perfeito. Você pode continuar amiga de seu Pai NO Santo (porque ele é honesto) e continuar seu caminho com outro(s) orientador(es).
 
 
P.: Já estou num terreiro há dois anos e nunca recebi nada. O que faço?



R: Você é médium de incorporação? Tem certeza? Se for, então é porque o Terreiro em que você está não agrada seu carrêgo espiritual e, provavelmente, se você lhe der chance, vai encaminhá-lo futuramente para outro lugar. Simples assim.

Nilo Coelho.

É PRECISO RESPONSABILIDADE


Muitas pessoas me perguntam em cursos e grupos de estudos sobre a abertura de terreiros, sobre o que fazer para para se tornar Pai ou Mãe e até mesmo se é possível incorporar os Guias Espirituais para fazer sessões de atendimento em suas próprias residências.


Aproveito essa “curiosidade” geral das pessoas e o assunto constante para trazer a conscientização e até mostrar a responsabilidade do que é abrir um Terreiro de Umbanda.

Muitas pessoas acreditam que o Guia Espiritual tem o dever de tudo saber e tudo fazer, ficando o médium isento de responsabilidades e cuidado.

Pura Ignorância!

É claro que os Guias tudo sabem e nós temos muito que aprender comeles. Sabem de nossos erros, de nossas preguiças, de nossa vaidade e de nosso egoísmo, sabem que muitas vezes, médiuns sustentados por esses sentimentos viciados simplesmente “decidem” abrir sua casa desconhecendo a seriedade e as suas próprias responsabilidades diante deste ato.

Abrir um Centro não é só incorporar e colocar tudo na mão do Guia Espiritual. Existem obrigações, assentamentos e firmezas, fundamentos estes que devem ser cumpridos pelo médium e não pelo Guia.

Afinal um Centro Espírita é o local identificado por todo o plano espiritual como sendo um ponto de troca, de recarga, de cura e de encaminhamento. E esse local não funciona somente no dia e hora da gira, mas sim continuamente como um Centro de Reabilitação entre o embaixo e o alto.

É como se encontrássemos em um mesmo local o delegado e seus policiais; o juiz e seus promotores; o médico e sua equipe; o professor e seus estagiários, encaminhando cada espírito, 24 horas por dia todos os dias.

Diante de toda essa grandeza o local deve ter sua proteção com campos de irradiações específicas e pontos de descargas energéticas para que nada fique acumulado no ambiente e nas pessoas.

Preparações essas que devem ser realizadas com conhecimento e não com achismos. Também não encontramos esses ensinamentos na internet ou nos livros, mas na nossa ancestralidade, no conhecimento de Pais e Mães Espirituais, verdadeiros zeladores de Orixás (aqueles que cuidam, conhecem e zelam pelo Orixá).

Infelizmente vemos hoje pessoas trabalhando em suas casas ou em seus escritórios terapêuticos sem nem mesmo saber diferenciar um assentamento de uma firmeza, não sabendo nem realizar uma obrigação ou simplesmente não sabendo diferenciar ou até preparar um banho de fixação, de proteção, de energização ou de descarrego sobrecarregando a casa, o escritório, o médium e toda a família.

Médiuns não preparados vão criando um Centro de ações nocivas e com o passar do tempo o próprio médium culpa, julga e menospreza a Umbanda e os Guias Espirituais, esquecendo que a sua ignorância e a sua vaidade foram as causadoras do negativismo em sua vida.

Pura Irresponsabilidade!

Não é o médium quem decide a abertura de um Centro, mas o Guia Espiritual e essa determinação vem do Alto. Afinal, só nos é permitida a evolução quando nos tornamos capacitados e responsáveis pelos nossos atos.



Mãe Mônica Caraccio

OS PERIGOS E CONSEQUENCIAS DA MEDIUNIDADE MAL ORIENTADA


A falta de doutrina e de comprometimento que existe, em muitas casas espiritualistas, coloca em risco a saúde física e psicológica dos médiuns.


Para se ter idéia, há casas que iniciam qualquer pessoa que tenha vontade em trabalhos de desenvolvimento mediúnico de incorporação.
 E as pessoas que começam a frequentar os trabalhos, por não terem a menor noção do que é certo ou errado, se submetem.

Na verdade, existem casos em que a mediunidade de incorporação nunca vai se manifestar porque o médium deverá desenvolver outras formas de mediunidade.

Consequentemente, tentando fazer incorporar quem não deve, surgem atrapalhações de toda ordem.

A mediunidade deve ser desenvolvida de forma progressiva e individualizada, e o bom desenvolvimento do corpo mediúnico depende muito da firmeza e da competência do chefe encarnado do grupo e do espírito dirigente dos trabalhos.

Na Terra, a esfera material das diversas formas de religião é conduzida pelos encarnados, o que inclui a organização das casas, a orientação das pessoas e até a redação dos textos que explicam os fenômenos espirituais.

É justamente por se tratar de “coisa de humanos” que a religião muitas vezes é deturpada.

Se os espíritos de luz pudessem atuar sozinhos, várias situações inoportunas deixariam de acontecer.

Mas os trabalhos religiosos na Terra precisam da união do plano físico e do espiritual.

Sem o fluido animal dos médiuns, não é possível para os espíritos atuar em nosso nível vibratório.. Daí a grande importância dos médiuns e também da assistência nos trabalhos religiosos.

Quando um dirigente religioso, independente da linha em que trabalhe, se deixa envolver pelo ego, passa a acreditar que é dono-da-verdade e, o que é ainda pior, que é dono das pessoas sua mente se fecha para as orientações do plano espiritual que deveriam orientar sua conduta, porque sua vontade passa a ser mais importante.

Quando o chefe dos trabalhos “se perde”, os espíritos não compactuam com os erros cometidos, mas respeitam o livre-arbítrio de todos. Ficam à parte, aguardando que a situação se modifique para novamente poderem trabalhar com seus médiuns.

As pessoas não ficam desamparadas, mas os espíritos não compactuam com o ego. Há trabalhos que, irresponsavelmente, surgem em função da vontade que têm algumas pessoas de dirigirem grupos. Se uma pessoa resolve iniciar uma sessão, a responsabilidade é dela. Os seus protetores não vão puni-la por isso, mas toda a carga que surge em função dos trabalhos vai ser também responsabilidade dela.

Surgem, em função disso, muitas complicações, para quem dirige e para quem é dirigido. Portanto, não bastando atrapalhar a si mesmo, o chefe deverá arcar com as consequencias do que provoca para o corpo mediúnico de sua casa.

O mesmo vale para quem decide que vai prestar “atendimentos espirituais” ou outros tipos de “trabalho” relacionados, sem as devidas proteções que só uma casa, com os devidos calços, pode ter.

Toda aplicação do dom mediúnico deve estar sobre a proteção de uma corrente espiritual e de uma chefia realmente capacitada.

Infelizmente, em muitas casas sem boa direção espiritual, exerce-se o hábito de desenvolver a mediunidade em pessoas obsediadas, causando-lhes desequilíbrios ainda piores do que a própria obsessão.

São pessoas que, estando claramente doentes, são levadas a abrirem seus canais de mediunidade, irresponsavelmente, a fim de supostamente se curarem.

A pessoa perturbada chega nos trabalhos e é aconselhada a desenvolver… porque tem mediunidade. Deveria procurar entender o que acontece consigo, através da doutrina, e não sair procurando um lugar para “desenvolver” Situações como essa, ocorrem devido ao pouco conhecimento doutrinário dos dirigentes das casas e até dos médiuns que dão consultas, acreditando que estão falando pelos espíritos.

A mediunidade perturbada pela obsessão não merece incentivo.

No aspecto patológico, existem aqueles que, por desequilíbrios neurológicos, se comportam como vítimas de processos obsessivos.

Nestes casos, também é inoportuno o desenvolvimento das faculdades mediúnicas.

Mentores espirituais de casas honestas cuidam de tratar desses processos obsessivos até que os fenômenos cessem, e o enfermo, curado, possa retomar suas atividades normais e, quem sabe, desenvolver sua mediunidade.

Tudo está muito bem, se o médium está preparado, saudável e consciente de que desenvolver a mediunidade é o que realmente deseja e de que realmente precisa.

Por outro lado, se a pessoa está desequilibrada, doente, desenvolvendo algo que nem sabe exatamente o que é, possuir um canal aberto será algo muito perigoso.

Em ambos os casos, haverá a possibilidade da comunicação com o mundo dos espíritos, e um médium despreparado não vai saber identificar, nem filtrar,mensagens boas de mensagens oriundas de espíritos obsessores.

Por isso, desenvolver a mediunidade em quem não está preparado permite que as obsessões se manifestam pelo canal mediúnico que foi aberto, ocasionando demências em diferentes graus.

A mediunidade não é causadora da enfermidade ou da loucura. É o seu desenvolvimento indevido que permite que um espírito obsessor dela se utilize para instalar, na mente de sua vítima, a enfermidade mental.

Pensar na mediunidade como causa desses distúrbios seria o mesmo que culpar a porta de uma casa pela entrada do ladrão. A porta foi somente o meio ou a via de acesso utilizada para a realização do furto, por negligência e desatenção do dono da casa.

Precisamos também conhecer a fadiga mediúnica. O exercício da mediunidade provoca perda de fluidos vitais do corpo do médium e tende a esgotar os seus campos energéticos. Por isso os dirigentes capacitados dedicam especial atenção e cuidado para com os médiuns iniciantes.

É comum encontrar médiuns desequilibrados, atuando em grupos espiritualistas, onde incluem-se até mesmo os brandos trabalhos de mesa kardecistas.

Em alguns casos, o descontrole psíquico pode levar o indivíduo à loucura,principalmente no caso das pessoas predispostas ao desequilíbrio.

Convém que o dirigente espiritual esteja atento à conduta dos médiuns, para perceber indícios de anormalidade.

Mediunidade é uma atividade psíquica séria, e a ela só devem se dedicar pessoas que se disponham a ter conduta religiosa, ou seja, uma moral sadia e hábitos disciplinados.

A prática da mediunidade em obsediados é capaz de produzir a loucura.

A irresponsabilidade e incompetência de dirigentes nos critérios de admissão e instrução de seus trabalhadores pode culminar em demência. Basta imaginar a situação em que uma pessoa obsediada é submetida a entidades hipócritas.

É fácil imaginar que se estabelecerá um processo de fascinação que pode culminar em demência.

Lembremos que a humildade, a dedicação, a paciência e a renúncia são os caminhos do crescimento mediúnico.

O orgulho e os maus espíritos são seus obstáculos.

A mediunidade, assim como todos os dons, possui dois lados.

Se, por um lado, é fonte de abençoadas alegrias; por outro, pode ser também de profundas decepções.

Mas isso nunca deve ser motivo para que alguém desista de desenvolver a sua mediunidade, de cumprir a sua missão, pois ela é simples e gratificante na vida das pessoas que a abraçam como missão de serviço nas legiões do Grande.

Jorge Menezes

Pensando em uma Cura que acontece e vai “Além”

A Umbanda é uma religião tão Simples e ao mesmo tempo tão Realizadora que chega a ser um privilégio fazer parte dessa realidade espiritual. Aliás, dentro de sua inerente simplicidade encontramos a complexidade da reforma íntima, da evolução espiritual e da ação da espiritualidade em nossas vidas. Encontramos a importância do Saber, do raciocínio lógico e do amor devocional e incondicional.

A Umbanda instrui, cura, alimenta, responde, purifica, alivia, facilita, concede, ameniza, soluciona, proporciona, inspira, retira, tira, dá, encanta, realiza, encaminha, paralisa, auxilia… Enfim, a Umbanda é UMBANDA, complexa e simples, poderosa e divina, realizadora e transformadora, e que precisamos conhecê-la em sua essência e grandeza.

Uma das coisas que mais me chama atenção e me impressiona na Umbanda é sua capacidade de Curar.
Sabemos que, tanto na Umbanda como no kardecismo, existem Trabalhos Espirituais de Cura, que na maioria das vezes, acontecem com a imposição de mãos projetando uma energia cósmica concentrada extremamente potente ou pela ação de espíritos especialistas em cura que realizam cirurgias espirituais com ou sem cortes. Sabemos também, que normalmente esses trabalhos acontecem em Giras ou Reuniões pré-determinadas com toda uma estrutura energética – espiritual pré-estabelecida e com uma corrente mediúnica específica.

No entanto, quebrar essa concepção de cura já conhecida por nós e até já estabelecida a nós e pensar em CURA com várias possibilidades, como restabelecimento, tratamento, solução, regeneração, como um processo e como uma sequência de ações diárias e consequentemente uma Cura de ‘dentro para fora’, de ‘baixo para cima’, de forma ‘simples’ mas ao mesmo tempo ‘complexa’ e que necessita do conhecimento, da ação direta e do total domínio do médium, é coisa que só a Umbanda com médiuns altamente capacitados consegue Realizar.
É pensar numa Cura que acontece e vai “Além”.

É ser um médium, independente de qualquer cargo, posição, função ou dom, capaz de Curar pela sua “simples” capacidade de Dar atrelado à complexidade do Saber.

Aos médiuns interessados em adquirir essa bela capacidade de “Curar Além” saibam que não é tão difícil assim, vocês terão que estar, em primeiro lugar, predisposto a fazer o Bem sem olhar a quem.
Depois deverão extinguir qualquer preconceito moral e espiritual, eliminar qualquer tipo de julgamento e estarem em boas condições emocionais, energéticas, físicas e espirituais.
Deverão compreender e ter o mínimo de capacidade mediúnica, saber acoplar e desacoplar sem criar cordões, saber como acontece uma incorporação, como acontece a absorção do ectoplasma (Prana) e permitir a importante e fundamental “Passagem”.

Deverão entender a realidade espiritual umbandista e alguns de seus elementos energéticos naturais como símbolos, toalha branca, vela, fogo, água, pemba, entre outros. Deverão conhecer os Orixás como Força Realizadora e algumas de suas firmezas para sustentá-los neste trabalho tão grandioso e ainda reconhecer como age e atua o Baixo Astral em nossas vidas.
Percebam que trabalho magnífico, sério, complexo, mas que não deixa de ser extremamente simples.
É um trabalho de Cura que chega a emocionar pela extensão de sua ação e pelas dezenas de encaminhamentos que são realizados em questões de minutos.
Quem já participou desse tipo de trabalho ou os terreiros que realizam esse tipo de Cura sabem a benção e o privilégio que possuem. Sabem que faz o corpo arrepiar, que faz as lágrimas escorrerem e que faz o espírito e toda a espiritualidade superior agradecer.
Sei também que parece trabalhoso, mas não é!
“Apenas” necessita de muito estudo, de disciplina, de bom senso, de amor, de discernimento, de FÉ, CRENÇA e REZA! Ou seja, necessita “simplesmente” daquilo que a Umbanda já necessita, não é mesmo?
Portanto, não é surpresa! Não é novidade!
Portanto, é Divino e vale a pena!
Vamos estudar, pessoal, vamos buscar mais conhecimentos, vamos ir Além, vamos fazer uma Umbanda Realizadora e vamos fazer o Bem sem olhar a quem.
Tenho certeza que atitudes como essas proporcionam grandes mudanças em nossas vidas aqui, agora, DEPOIS e ALÉM.

Alguns elementos que facilitam um trabalho de Cura:

Esses elementos são muito usados dentro do ritual da Umbanda e são, em muitos casos, fundamentais para o trabalho religioso que a Umbanda pratica portanto, usá-los nesse trabalho de cura ajudará muito toda a ação. Esses elementos são:
Pemba: elemento de grande poder simbólico e sagrado em nossa Umbanda que registra e caracteriza que o trabalho de cura que será realizado acontecerá pela Força sustentadora da Umbanda.

Fogo – Vela branca: elemento que purifica; regenera; revigora; aquece e ilumina o espírito. Nesse trabalho de cura a vela branca é muito valiosa e auxilia muito na recuperação do corpo doente.

Água: purifica; limpa; decanta e alimenta aliviando toda angústia do espírito desencarnado e acalmando as dores emocionais.

Toalha branca: proporciona uma sensação de acolhimento e segurança. Atrai e facilita a passagem de muitos espíritos. Além disso, ajuda também o médium doador em sua recuperação energética e em sua concentração mental.

Reza: conduz o ato, determina a ação e controla o mental e o emocional. Sem a reza, ato determinador, a cura será impossível, mesmo porque os espíritos desencarnados estão esperando uma voz de comando para saberem o que fazer e para onde ir.

Mãe Mônica Caraccio

Exú Capa Preta o Conde da Bruxaria e dos elementos

Musifin ou Exu da Capa Preta, se trata de uma entidade que quando vida teve viveu com o titulo de Conde em uma época remota, mais antiga do que a própria antiguidade, algumas pesquisas relatam que pode ser encontrado parte da biografia desta entidade em uma antiga colônia, hoje denominada Pensilvânia.

Foi um Bruxo com profundos conhecimentos sobre os mistérios da Magia negra, da Alquimia, da quimbanda e dos poderes dos feitiços praticados com os elementos através da magologia.

Conseguiu transpassar a barreira do tempo de sua própria existência através da prática da Magia e hoje incorpora em um médio para dar consultas e resolver problemas espirituais utilizando o seu conhecimento milenar, sua magia e seu poder de Exu.

Quem recorre a esta poderosa entidade, para solucionar os seus problemas, seja ele de ordem física ou espiritual, jamais vivera em vão.

Exú Capa Preta esta na hierarquia cabalística como Décimo sétimo comandado de exu calunga. Seu poder esta nas encruzilhadas e também no cemitérios, alem de realizar trabalhos dentro de seu circulo cabalístico nos terreiros de kimbanda nos quais ele predomina, tem como curiador o marafó e todas as bebidas destiladas.

Recebe também oferendas de pade(Farofas), carne de porco, ejé, Pimenta e etc…

Ao realizar seus trabalhos se transforma num bruxo poderoso em volta da sua capa, fazendo evocações não à problemas que ele não possa solucionar.



SEJA BEM VINDO! AO REINO DE EXÚ CAPA PRETA (MUSIFIN)



Seu Poder

Musifim é um Exu muito famoso por resolver problemas aparentemente sem solução, através da Magia e manipulação de elementos.

Faz o errado virar certo e o certo virar errado como bem lhe convêm.

Tem o poder, e possui o conhecimento para fazer trabalhos espirituais utilizando os feitiços da magia para manipular os elementos que envolve os reinos vegetal, mineral e animal. Manipula estes elementos através da magia negra, para resolver problemas que envolvam negócios relacionados a área profissional, afetiva, saúde e espiritual, não importando o quão difícil seja a situação.

Seus trabalhos são eficaz, de resultado imediato, soluciona quais quer problemas dentro de 7 dias após a realização do trabalho solicitado.

 
Que a Divina Luz esteja entre nós

Emidio de Ogum

domingo, 6 de fevereiro de 2011

OBRAS






ATENÇÃO
A OBRA NO PRÓXIMO FIM DE SEMANA SERÁ NO SÁBADO!

FASES DA LUA 2011


Janeiro

Jan 04 09:02 Lua Nova

Jan 12 11:31 Quarto Crescente

Jan 19 21:21 Lua Cheia (32,6')

Jan 26 12:57 Quarto Minguante

Fevereiro

Fev 03 02:30 Lua Nova

Fev 11 07:18 Quarto Crescente

Fev 18 08:35 Lua Cheia (33,3')

Fev 24 23:26 Quarto Minguante

Março

Mar 04 20:45 Lua Nova

Mar 12 23:44 Quarto Crescente

Mar 19 18:10 Lua Cheia (33,5')

Mar 26 12:07 Quarto Minguante

Abril

Abr 03 14:32 Lua Nova

Abr 11 12:05 Quarto Crescente

Abr 18 02:43 Lua Cheia (33,3')

Abr 25 02:46 Quarto Minguante

Maio

Mai 03 06:50 Lua Nova

Mai 10 20:32 Quarto Crescente

Mai 17 11:08 Lua Cheia (32,7')

Mai 24 18:52 Quarto Minguante

Junho

Jun 01 21:02 Lua Nova

Jun 09 02:10 Quarto Crescente

Jun 15 20:12 Eclipse total da Lua

(meio do eclipse)

Jun 23 11:48 Quarto Minguante

Julho

Jul 01 08:53 Lua Nova

Jul 08 06:29 Quarto Crescente

Jul 15 06:39 Lua Cheia (31,0')

Jul 23 05:01 Quarto Minguante

Jul 30 18:39 Lua Nova

Agosto

Ago 06 11:08 Quarto Crescente

Ago 13 18:57 Lua Cheia (30,2')

Ago 21 21:54 Quarto Minguante

Ago 29 03:04 Lua Nova

Setembro

Set 04 17:39 Quarto Crescente

Set 12 09:26 Lua Cheia (29,6')

Set 20 13:38 Quarto Minguante

Set 27 11:08 Lua Nova

Outubro

Out 04 03:15 Quarto Crescente

Out 12 02:05 Lua Cheia (29,4')

Out 20 03:30 Quarto Minguante

Out 26 19:55 Lua Nova

Novembro

Nov 02 16:38 Quarto Crescente

Nov 10 20:16 Lua Cheia (29,5')

Nov 18 15:09 Quarto Minguante

Nov 25 06:09 Lua Nova

Dezembro

Dez 02 09:52 Quarto Crescente

Dez 10 14:31 Eclipse total da Lua

(meio do eclipse)

Dez 10 14:36 Lua Cheia (30,1')

Dez 18 00:47 Quarto Minguante

Dez 24 18:06 Lua Nova

Jan 01 06:14 Quarto Crescente