domingo, 6 de junho de 2010
HOMENAGEM AOS PRETOS VELHOS
ADOREI AS ALMAS!
NESTE SÁBADO FOI FEITO EM NOSSO TERREIRO UMA EMOCIONANTE E CARISMÁTICA FESTA EM HOMENAGEM AOS QUERIDOS VELHINHOS DA UMBANDA.
VOVÓ CAMBINDA
Que Oxalá nos abençoe sempre.
E como sempre falarei de algumas entidades, quem quiser é só me mandar e-mail que postarei de outra.
Hoje falaremos de uma entidade bem conhecida, alguns dizem ser irmã da Vovó Maria Conga, outros dizem que não, mas o importante é entendermos como é e não o que é.
Vovó Cambinda que é a homenageada, esta entidade conheço pessoalmente, são muito amorosas querendo sempre abraçar o mundo, muito companheiras trabalham com suas ervas, pitando seu cachimbo. O Povo de Cambinda é um povo irmãos do Congo, pois também trabalham na linha das águas com Iemanjá, porem sofrem grande influência de Ogum, são entidades amorosas, mas quando preciso energéticas, sempre falando pro bem do filho, mesmo que seja uma verdade dolorida.
As Vovós ficam alegres em terra, sempre felizes com o reconhecimento dos filhos, grandes tarefeiras de Zambi praticam sua caridade com muita fé e vontade, adoram crianças e trabalhos ligados a cura, uma curiosidade é que as Médiuns destas entidades tem ligação com a Cabocla Jurema.
Ponto de Vovó Cambinda
Vem Negra Cambinda, Quem te chama é Nagô
Negra da Costa da Mina é De Babalaô
Negra pula, Negra dança na batida do tambor
Negra toma seu marafô pra saudar seu protetor.
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Anaruê, Anaruá
Batida no Congo, É Cambinda que vou chamar
Anaruê, Anaruá
Batida no Congo, É Cambinda que vou chamar
Negra Cambinda é negra firme, negra de Fé vem Saravá
Negra Caminda é nossa luz, que na Umbanda vem trabalhar.
Que Oxalá nos abençoe sempre
Saravá .'.
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Dezoito horas. A penumbra da noite começa a cair sobre a pequena casa isolada no alto da colina. Quem passa pela estrada não consegue imaginar como alguém pode viver ali. Cândida mora na casinha com seu único filho, Thiago, de cinco anos, não por opção, mas por ter sido a única saída quando foi abandonada pelo marido depois de um casamento conturbado. Começa a procurar pelas velas que acenderá nos dois pequenos cômodos, quando batem à porta. A mulher se assusta, nunca aparece ninguém nesse recanto afastado do mundo. Quem seria? Ao abrir depara-se com uma senhora negra, a avançada idade denunciada pelos cabelos totalmente brancos. - Minha filha, me dê um copo com água pelo amor de Deus, estou andando desde o meio-dia e já não agüento mais de cansaço e sede. Cândida olhou para aquela mulher e sentiu profundo dó, usando roupas surradas e carregando uma imensa sacola, deveria realmente estar muito cansada. - Entre dona, sente um pouco que lhe darei água e um cafezinho. - Muito obrigada, minha querida, vou aceitar. Em poucos minutos ambas trocam informações e conhecem um pouco da vida sofrida de cada uma como se fossem velhas conhecidas. De repente do quarto contíguo vem um gemido. - Seu menino está doente, minha filha? - Está dona Maria, com um febrão enorme, já fiz de tudo e ela não baixa, hoje já chorei demais e se ele não melhorar, sairei de madrugada para procurar socorro médico. - Vamos lá ver isso. Sou benzedeira sabe? Na meia hora seguinte, dona Maria tomou conta da situação, abriu sua sacola, tirou ervas, mandou que se preparasse um banho, com outras pediu que Cândida fizesse um chá. Banhou o menino, deu-lhe o chá, sentou-se com ele no colo e rezou por muito tempo. Findas as orações, colocou o garoto adormecido na cama, a febre havia passado. A mãe não sabia como agradecer aquela senhora. Ofereceu-lhe pousada. - Não minha filha, tenho que ir, muita gente me espera. Deu algumas ervas com as recomendações necessárias para seu uso e dirigiu-se para a porta agradecendo e se despedindo. De súbito virou-se e perguntou: - Minha filha, só uma pergunta. Aquela vela em seu altar queimando, é para quem? - Ah dona Maria, aquela vela, mantenho sempre acesa para a Mãe Cambinda, minha linda, minha preta- velha de devoção! - Que linda é a fé não minha querida? Bem tenho mesmo que ir, até um dia! Com seu andar vagaroso afastou-se. Quando já estava a uns dez passos virou-se: Minha filha! - Sim? Respondeu a moça - Obrigado! - Obrigado por quê? Eu que tenho que agradecer. E a velha senhora respondeu: - Obrigado pela vela querida... Pela vela! Virou-se novamente para o caminho e sob os olhos marejados de Cândida, Mãe Cambinda da Guiné desapareceu no ar!
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Sobre o Sacerdócio na Umbanda (Compra de Coroa)
Com alguma regularidade, vemos médiuns de todo país serem consagrados sacerdotes de Umbanda. Contam suas histórias, algumas bem “mirabolantes”, cheias de pirotecnia, mas a grande maioria também, não nos falam de tempo de trabalho em terreiro, orientações consistentes de guias e protetores e experiência mediúnica prática. Babalorixás consagrando médiuns com 1 ou 2 anos de trabalhos em novos Babalorixás. Babalorixás com pouquisimo tempo de coroa fazendo reforços de 7, 14 ou 21 anos, quando muitas vezes nem sabem rezar um Credo.
Geralmente falam que estão insatisfeitos com o terreiro em que se encontram, que o dirigente não tem conhecimento de causa, que não concordam com a forma como os trabalhos são dirigidos, se sentem colocados em segundo plano e/ou que receberam ordem de seu caboclo ou preto velho para abrir um terreiro.
Agravam-se estes queixumes quando os pretendentes à consagração sacerdotal não aceitam os ritos do terreiro que estão vinculados, achando-se melhor que todos os demais, preparados, coisa e tal. Não é incomum, imputarem ao chefe de terreiro como deve ser a sua vida pessoal fora do centro, num patrulhamento "moral" pior que o da inquisição, como se para estar a frente de um congá tivéssemos que ser um Francisco de Assis, Chico Xavier ou Gandhi. Muitas vezes, estas criaturas se preocupam mais com os outros que com elas mesmas, e por sua rigidez psicológica, acabam sendo eternos insatisfeitos, pois mudam regularmente de agrupamento e nunca encontram satisfação de suas almas, dado que condicionam ao exterior e aos outros sua felicidade e bem estar espirituais, esquecendo-se de olharem para dentro de si mesmos.
Alegam possuírem humildade, quando percebe-se claramente que é uma “falsa humildade”, pois estão, na realidade movidos pela vaidade, prepotência e/ou aspiração de poder e o status de pai ou mãe no santo. Ah! Se esses médiuns pudessem compreender as dificuldades e profundas responsabilidades que vem com esse pretenso “poder”!!!
Em função disso, resolvi escrever esse artigo que visa apenas chamar a atenção daqueles que acham ou acreditam que num passe de mágica se dá a coroação ou consagração de um sacerdote umbandista. Em primeiro lugar se deve deixar bem claro que Umbanda Consagra e que “fazer o Santo” não é ritual de Umbanda.
Aos que acreditam que a consagração se dá através apenas de vontade de ser consagrado, pode “tirar o cavalinho da chuva”, porque não se aprende em livros, cursos e escolas. Umbanda se aprende dentro do terreiro, em cada consulta, em cada gira, em cada atividade social, em cada louvação a Orixá. Nada substitui e nem é maior do que a bênção da orientação confirmada das entidades que nos orientam, e essa orientação sempre estará relacionada a maturidade mediúnica demonstrada pelo médium para com a sua banda e para com o trabalho da Umbanda, o que não ocorrerá da noite para o dia. Portanto, nada! Guia, protetor ou mentor algum irá dar essa orientação se o médium tiver recém ingressado nas linhas de trabalho da Umbanda. É necessário um tempo de preparação interiorizando- se a essência da umbanda, sua simplicidade, amor e caridade. Uma vez que todos eles – os Guias, Protetores e Mentores, sabem a importância para seus médiuns em vivenciarem as etapas necessárias no aprendizado até chegarem a uma Consagração Sacerdotal.
Na realidade existe uma “coisinha” que chamo de “coroa de chefia”. Trata-se apenas de um termo que uso para diferenciar os grupamentos de médiuns.
O termo Consagração quer dizer aprovação, ou seja, outorga espiritual da Banda que acompanha o médium, bem como da Cúpula Espiritual da Casa onde o médium faz parte da corrente. Quando chega a hora a entidade chefe do médium começa a sinalizar consistentemente que “alguma coisa” precisa ser feita. Lentamente, vai se formando no mental do médium os caminhos que deve trilhar para descobrir o que é essa “alguma coisa”. Através do tempo, da consistência de trabalho, tudo começa a ficar mais claro no mental do médium, que deve se dirigir ao seu sacerdote e dividir com ele as suas orientações (isso quando o seu próprio guia não o faz). Pai Pena Branca sempre fala que não adianta querermos avançar se não dominamos nem o simples, o trivial, o cotidiano.
Assim, com as devidas particularidades de cada um, aconteceu com todos os dirigentes consagrados no nosso terreiro. Todos trazem essa missão, todos trazem a “coroa de chefia” em seus oris. Todos passaram por ritos litúrgicos dentro do terreiro. E todos eles, mesmo com suas experiências individuais de anos de trabalho, tiveram humildade suficiente para ver a necessidade de serem consagrados. E mesmo assim, perseveraram! Isso é um fator determinante para ser um sacerdote da Egrégora. É aí que deve sempre nortear o caminho do médium o desejo sincero de servir, pois na sabedoria assim se diz: “Quando o discípulo está preparado o mestre aparece.”
Em nenhum deles foi cobrado financeiramente ou materialmente. Entretanto, muito lhes foi exigido de dedicação, conhecimento, experiência e humildade mediúnicos, coisas que para eles foi absolutamente natural, pois traziam em seu ori e já eram de fato sacerdotes, só faltava serem de direito.
Esta preparação sacerdotal culminou no ato da benção com a mão sobre o coronário do consagrado, mas iniciou muito antes, encarnações e encarnações forjando o espírito para este momento existencial cármico de extrema responsabilidade. Por isto, não basta querer ser, "estar sacerdote". O espírito tem que SER verdadeiramente, vibrar em sua natureza de dentro para fora, para que o rito externo seja uma consolidação, um meio de ligação e assentamento no plano material de sérios compromissos espirituais assumidos de longa data pretérita.
Outro fator interessante de ser ressaltado é que nem todos que eu tenho a graça de visualizar a “coroa de chefia”, são para serem consagrados por essa egrégora, pois como nós sacerdotes sempre precisamos aprender mais e trocar conhecimentos, é necessário uma egrégora unida e para isso afinidade de pensamento e orientação missionária entre os mentores de cada Casa. É necessário que haja união, empatia e afinidade entre nós todos, os sacerdotes, pois apesar de eu ser o veículo utilizado materialmente pelo Alto para consagrá-los, não me posiciono “acima” deles, pois sou apenas o elo de ligação material entre todos. Quando os médiuns estão em sintonia com a Egrégora e fazendo juz a uma consagração por tudo o que já foi exposto acima, eles entenderão que muito mais que estar na Casa ou ser consagrado pela Sacerdotisa da Casa, ele em si é a própria Casa, são uma semente Dela, uma extensão da mesma. Sendo cada qual uma viga importante da viga mestra dessa construção. Então, nesse contexto, na Egrégora de Pai Pery, a vitória de um é a de todos.
Isso explica e justifica médiuns que saem do terreiro para serem consagrados em outras Casas e também os que buscam o terreiro e vemos (eu e/ou o médium) que não há afinidade de propósitos suficientes que o leve a ingressar nessa egrégora. E entrar na Egrégora de Pery é atravessar um Grande Portal, onde a senha para o mesmo é caridade, caridade, caridade. Por isso é bom cada qual refletir ante ao que o move.
Eu não brinco de consagrar dirigente! E não adianta ficar “batendo pezinho”! E nem sair falando que eu não tive competência de enxergar a sua “coroa de chefia” maravilhosa e o grande dirigente que eu “perdi”! Não estou aqui para agradar encarnado! Meu compromisso é com os guias, protetores, mentores e Orixás. Até porque a sua “coroa de chefia” pode realmente ser maravilhosa, espetacular, linda de morrer, enorme, etc... Mas se não houver afinidade missionária, não dá prá ser. Se eu não receber ordem direta do Alto, não vai acontecer. Aí sugiro que procure outro sacerdote para consagrá-lo, sem magoas ou melindres. Até porque o verdadeiro futuro sacerdote não tem tempo a perder.
Temos que respeitar a afinidade de cada criatura. Afinal, na umbanda que praticamos um sacerdote não prescinde de ser médium, ao contrário de outras religiões e cultos, que a consagração sacerdotal não tem como pré-requisito a mediunidade. Assim, se o que te move ao encontro da insígnia sacerdotal são os títulos de mago, mestre, babalorixá, yalorixá,...; natural que deva procurar outro terreiro mais afim com seus anseios espirituais, mesmo que não seja na umbanda. Assim também muitos vêm para a umbanda de outros cultos, como o pólen das flores que se espalham num imenso jardim existencial, plasmado pela diversidade das almas neste planeta. Afinal de contas como dissera certa vez Pai Sete Flechas: “a Umbanda não é um show! E se há algum filho na corrente com essa intenção digo desde já, que está em local errado! Não tendo a Umbanda nascido ainda em seu coração.”
Minha preocupação maior sempre será manter essa egrégora unida para ser forte, pois não é objetivo da egrégora ter 200 terreiros filiados, mas sim a qualidade de trabalho, que só se dá com afinidade de propósitos de expandir a caridade, respeitando o livre-arbítrio de cada um, as orientações dos mentores de cada um, a experiência de cada um, tendo sempre em mente as orientações primeiras de Pai Pery, que são: jamais haver nenhum tipo de cobrança por nada sagrado (consultas, trabalhos, passes); por fugir completamente ao que se chama prática da caridade.
Portanto, não houve em nenhum dos casos fórmula mágica! Plim! Agora você é um sacerdote! Houve trabalho, muito trabalho antes disso. Eles foram médiuns de trabalho! Limparam terreiro (faxina mesmo), deram muita consulta, cuidaram muito dos terreiros que se desenvolveram. Nada foi de “mão beijada”, mas foi natural em suas vidas.
Com tudo isso explicado, espero que antes de nos procurarem em nossos terreiros cheio de empáfia e vaidade (mesmo que velada), achando-se ou sentindo-se melhor médium do que seus irmãos de caminhada, pensem e revejam mesmo se é isso que o Alto deseja. Veja se tem condições espirituais e financeiras de iniciar um terreiro, pois quando é prá ser, o Alto nos mostra o caminho e nos dá condições. Até porque o sacerdote não é melhor médium que ninguém, mas sim é o que mais tem a resgatar e a espiritualidade superior achou por bem lhe dar essa “coroa de chefia” para auxiliá-lo nesse resgate.
Para ser sacerdote consagrado pela egrégora do terreiro é preciso amar a Umbanda incondicionalmente, encarar a sua missão com seriedade, alegria e humildade. Ter a consciência de que está em nossas mãos o Futuro da Umbanda. O som do atabaque, a inspiração das curimbas, riquezas essas que não silenciaram nem sob chicotes, nem sob escravidão, nem sob a forma mais bruta e grotesca de homens que se diziam civilizados. Ter essa consciência é, acima de tudo, trazer e fazer no nosso tempo a alegria que foi roubada no passado. Entendendo que não somos melhores do que ninguém, mas sim os mais necessitados de amparo do Alto, para honrarmos a missão que nos foi confiada. Portanto, tem antes que aprender a ser médium! E aprender a ser médium não é só incorporar Guia, sentir vibração das energias-Orixás e dar consulta.
Antes tem que aprender a ser gente.
Mãe Iassan
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VOVÓ MARIA REDONDA
Dona Maria Redonda nos fez um relato sobre a origem de seu nome.
Nossa querida preta velha nos contou que, ao contrário do que todos acham, ela não era gorda, e sim alta e magra.
Seu apelido vem de outra característica, ou melhor, de uma estória.
Dona Maria Redonda era a parteira do grupo no qual vivia, e também a pessoa encarregada de cuidar dos filhos dos escravos enquanto eles estavam na lida.
Passou sua vida criando estas crianças, e por ter esta responsabilidade foi poupada dos trabalhos escravos impostos aos negros na época.
Por ter de que cuidar de muitas crianças, costumava coloca-las em um círculo para conversar e brincar com elas.
Certa vez, na intenção de dar-lhes esperança diante do que elas e seus pais estavam vivendo, Dna. Maria Redonda disse às crianças:
" Filhos, peguem nos seus calcanhares, vejam como eles são redondos! Peguem em suas cabeças, elas também são redondas! Nossas barrigas, e até nossas bundas são redondas!!" - e as crianças deram risada.
" Olhem para o céu, o sol e a lua são redondos! Até mesmo os portugueses estão dizendo que esta Terra onde vivemos é redonda. Veja o que comemos, quase tudo é redondo.
Agora, vejam, as argolas que escravizam a nós e aos pais de vocês também são redondas, mas estas com certeza vão se desmanchar, pois são as únicas que não foram criadas por nosso pai Oxalá!".
Com estas palavras, Dna. Maria Redonda afagava os corações das crianças.
Agora sabemos de onde vem tanta doçura, e porque é tão bom deitar em seu colo e receber seu agrado!
Perguntamos a ela se havia se casado, se tinha tido uma família.
Disse que as crianças eram sua família, assim como todos com quem vivia eram como seus irmãos.
Os negros escravos tinham um sentido de irmandade muito diferente do que temos hoje.
Tinham uma sentimento de fraternidade, eram todos irmãos, unidos por sua condição, independente de serem parentes de sangue ou não.
Dna. Maria Redonda nos contou também que ela estava encarnada quando a Abolição da Escravatura finalmente aconteceu .
Sobre isso comentou:
" Filha, tive a sorte de viver para ver este dia. Mas, na verdade, a gente nem sabia o que fazer com a liberdade...
Salve nossa doce e querida Maria Redonda !!
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Quem é de Axé, Diz que é (Censo 2010)
Atenção! O 12º Censo Demográfico, já está aí. Começa em agosto. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai realizar a coleta de dados que irá compor o mais completo retrato da população brasileira. Pela primeira vez o Censo vai incorporar os itens “raça e etnia” na pesquisa feita pelos recenseadores em todos os domicílios residenciais. Até agora, os dados divulgados pelo IBGE sobre essa temática eram realizados apenas por amostragem. Portanto, a desagregação dos dados por raça e etnia deverá influenciar no aperfeiçoamento das políticas públicas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial e étnica no Brasil. Neste sentido, opinião pública precisa ter acesso às informações e ser sensibilizada a partir da produção de conteúdos que viabilizem as condições sócio-econômicas de afro-descendentes e indígenas no país.
Com relação às Religiões Afro-Brasileiras, o número de adeptos que se declararam “filhos de santo” no último censo (2000), é 20 vezes menor que o real, totalizando somente 6.859 habitantes. O grande desafio, agora, é conscientizar os adeptos das Religiões Afro-Brasileiras a se declararem “do Santo” neste próximo censo. Por medo de retaliação no ambiente de trabalho ou até mesmo de amigos, muita gente acaba se declarando pertencente a religiões cristãs ou mesmo ao espiritismo, que é diretamente associado ao Kardecismo. O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU apoiou em 2009, a mobilização de afrodescendentes para os censos de 2010 e o Brasil liderou a articulação internacional para desagregação de dados por raça e etnia.
Há relatos de Sacerdotes das Religiões Afro-Brasileiras, de que vem crescendo, ano a ano, o orgulho de se assumir “do Santo”. Entretanto, muitos deles afirmam que, a maioria das pessoas que procura atendimento, ainda se autodenomina como “simpatizante” e não adepto da religião. Entre os jovens, muitos acabam engrossando a fileira dos espíritas e não dos Afro-Religiosos. Na escola e entre amigos, não tão íntimos, eles dizem que são espíritas por receio de sofrer preconceito.
O lançamento da Campanha “Quem é de Axé, diz que é”, vem se estendendo por todo o Brasil. Na cerimônia ocorrida recentemente no Rio de Janeiro, foi assinado o convênio entre a SUPERDIR (Superintendência de Direitos Humanos Coletivos e Difusos) e a SEPPIR criando o Centro de Referência de Enfrentamento à Intolerância Religiosa e a Promoção dos Direitos Humanos e do termo de compromisso para apoio ao projeto de catalogação de peças religiosas afro-brasileiras que foram seqüestradas nas décadas de 30 e 40, durante a ditadura militar. O coordenador de Política Institucional do CEN (Coletivo de Entidades Negras) e elaborador da campanha, Marcio Alexandre M. Gualberto, apresentou a mesma aos presentes. Portanto, quando o IBGE perguntar sobre sua religião, diga com clareza: “Eu sou do Candomblé ou da Umbanda. Sou do Axé”
Fonte: Jornalistas
A Gaxéta
CEN
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Ayan o Orixá do Tambor

As religiões de matrizes africanas há tempos vêm resgatando alguns elementos que por ventura ficaram esquecidos dos meados do ano de 1830 há-te o ano atual. Orixá “ÀYÀN” orixá do tambor é um desses elementos. Observando por onde eu ando, a forma como alguns, pode chamá-los de: Ogan de tambor, abatazeiros, abatás, batedores de tambor seja lá qual for à denominação que podemos chamá-los, mas algo nós chama a atenção; a preparação dessas pessoas especiais para a liturgia das religiões de matrizes africana. Assim bem como os seus segredos. Os segredos dos Tambores de Batá que é um elemento sagrado na cultura Yorubá, com rituais religiosos para sua construção, preparação e iniciação daqueles que irão tocá-lo. Os Batás sagrados são tratados como criaturas viventes, que devem ter cuidados específicos e uma variedade de regras para o seu uso.

A força espiritual contida no tambor e que o consagra e é chamado de “Ayan” ou “Ayon” O Orixá do tambor. Para que alguém possa ser iniciado para Ayan e tocar o Batá, deve cumprir rígidos rituais religiosos. No Brasil essa tradição praticamente perdeu-se, mas foi mantida na Nigéria e Benin a Terra Yorubá e em Cuba. O iniciado recebe a força espiritual necessária para tocar os tambores da forma correta, para que estes possam “falar” com os Orixás, chamando-os para as cerimônias a eles dedicadas. Ayan representa a expressão sonora das divindades; e o símbolo do tambor que serve como depositário dos poderes divinos e ele é o veiculo que Ihe da voz. A consagração de Ayan no tambor Batá e feita por meio de ritual e elementos litúrgicos sagrados, que ficam dentro do tambor, que e selado hermeticamente com as duas peles. Quando Ayan é fixado no tambor é chamado de “Eleekoto”. O ritual de consagração inclui a pintura do tambor com a assinatura de Xangô. Eleekoto e representado por uma miniatura de tambor Batá que não pode ser tocada, pois simboliza o “Ayan.”

A ORIGEM DOS TAMBORES BATÁ
Os tambores sagrados Batá foram introduzidos e desenvolvidos na terra dos Yorubás (Atual Benin – Nigéria) ha aproximadamente 800 anos, para a celebração do Orixá Xangô. Tem provavelmente raízes em outras partes do continente africano, oriente médio e nordeste da Índia, onde também são comuns os tambores de duas peles. O som dos tambores Batá sobreviveu por mais de 500 anos, viajando da Terra Yorubá para o “Novo Mundo” e mantendo sua tradição nos Cultos de Nação Africana e em Cuba; mais recentemente também nos Estados Unidos. Sua história é um testemunho do poder e profundidade da religião e cultura Yorubá.
Segundo a Mitologia Yorubá os tambores Batá podem “falar”. Como a língua Yorubá e basicamente um idioma tonal, e possível fazer elogios, recitar os Orikis (os poemas sagrados africanos) e “falar” alguns provérbios por meio do som dos tambores sagrados.

A DANÇA PARA O ORIXA DO TROVAO
Iya llu-Tambor com som mais grave. Também chamado de “Mãe dos Tambores”
Itotele-Tambor médio
Okónkolo—Tambor pequeno, com som mais agudo.
Na Nigéria, Batá também é o nome de uma dança dramática religiosa, que pertence a um dos mais numerosos grupos étnicos do continente africano. A dança possui movimentos vigorosos, percussivos e vibratórios, que produzem momentos de suspense e tensão, representando o aspecto mítico do trovão, do relâmpago, símbolos do Orixá Xangô. Na cidade de Oyo, Nigéria, é onde se encontra seu grande templo, mas é cultuado em grande região da África, no Brasil, em Cuba e em outros países das Américas. A dança Batá é a representação corporal do ritmo produzido pela Orquestra composta pelos tambores que Ihe dão o nome. Surge assim Ayan – o principio vibrante do tambor Batá, que traz os elementos corporais, rítmicos, vocais e visuais do Orixá que e consagrado dentro do tambor de duas peles.

A FAMILIA DOS TAMBORES BATÁ
E formada por três tambores consagrados, talhados em madeira:
São usados quase que inteiramente para eventos religiosos na Nigéria e Benin. Em Cuba e nos Estados Unidos desenvolveram uma identidade sagrada. Na Nigéria são usados em celebrações a Xangô, líder histórico da cidade de Oyo e Orixá do Trovão. São usados também no culto aos Egunguns antepassados. Em Cuba os Batás são utilizados em todas as cerimônias relacionadas aos Orixás.
Emidio de Ogum----------------
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